Stonehenge

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Stonehenge, Inglaterra.
Stonehenge, Inglaterra.

Stonehenge é um monumento megalítico da Idade do Bronze, localizado próximo de Amesbury, no condado de Wiltshire, a cerca de 13 quilómetros a Noroeste de Salisbury, na Inglaterra.

Stonehenge, o mais visitado e bem conhecido dos círculos de pedra britânicos, parece ter sido projectado para permitir a observação de fenómenos astronómicos - solstícios do Verão e do Inverno, eclipses, e outros.

Uma nova teoria defende que Stonehenge seria um "local de tratamento[1], tal como uma Fátima do Neolítico, onde os doentes e feridos se dirigiam em busca de cura". Por outro lado, actualmente a datação por carbono é mais fiável e, portanto, os mesmo arqueólogos que defendem a teoria de que seria um local de tratamento consideram que os círculos de pedras foram construídos 300 anos mais tarde do que era suposto.

Índice

[editar] Mitos e lendas

Existem diversas lendas e mitos acerca da sua construção, atribuída a diversos povos: Egípcios, Fenícios, Gregos, Celtas, Romanos, Saxões, Dinamarqueses, Atlantes, Extraterrestres e até ao mago Merlin.

Uma das opiniões mais populares foi a de John Aubrey. No século XVII, antes do desenvolvimento de métodos de datamento arqueológico e da metodologia da pesquisa histórica, foi quem primeiro ligou este monumento, e outras estruturas megalíticas na Europa, aos antigos Druidas. Esta ideia, tal como um grande número de outras falsas noções relacionadas com ela, difundiram-se na cultura popular do século XVII, mantendo-se até aos dias actuais.

Na realidade, os Druidas só apareceram na Grã-Bretanha após 300 a.C., mais de 1500 anos após os últimos círculos de pedra terem sido erguidos. Algumas evidências, entretanto, sugerem que os Druidas encontraram os círculos de pedra e os utilizaram com fins religiosos.

Outros autores sugeriram que os monumentos megalíticos foram erguidos pelos Romanos, embora esta ideia seja ainda mais improvável, já que os Romanos só ocuparam as Ilhas Britânicas após 43, quase dois mil anos após a construção dos círculos de pedra.

O Sol nascendo sobre Stonehenge na manhã do  solstício de Verão (21 de junho de 2005).
O Sol nascendo sobre Stonehenge na manhã do solstício de Verão (21 de junho de 2005).

Somente com o desenvolvimento do método de datação a partir do Carbono-14 se estabeleceram datas aproximadas para os círculos de pedra. Durante décadas não foram formuladas explicações plausíveis para a função dos círculos, além das suposições de que se destinavam a rituais e sacrifícios.

Os povos saxões chamavam Hanging Stones (Pedras Suspensas) ao local, escritos medievais baptizaram-no de Dança dos Gigantes. Estas são denominações diferentes para referir o mesmo monumento, hoje conhecido como Stonehenge (do inglês arcaico Stan = pedra + hencg = eixo).

Stonehenge é um complexo monolítico, formado por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter cinco metros de altura e pesar quase cinquenta toneladas, situado na planície de Salisbury, sul da Inglaterra, a cerca de 130 quilómetros de Londres. Os responsáveis pela sua construção, os métodos utilizados e a sua finalidade, mantêm-se ainda, nos tempos actuais, como um grande enigma.

Originalmente, o monumento era um círculo externo que media 86 metros de diâmetro. O círculo interno, com pedras maiores, de cinco metros de altura, contava 30 metros de diâmetro. Possuía 30 blocos verticais sobre os quais se colocaram 30 blocos horizontais, formando um anel de pedra ininterrupto. Ainda mais altos, são os cinco portais que formam a ferradura externa, com cerca de nove metros de altura e perto de 15 toneladas. Existia ainda uma avenida de acesso principal onde se situavam os portais de pedra. Havia também, do lado externo do círculo maior, uma série de cavidades no solo que circundavam o monumento. Estas cavidades estavam destinadas a um outro círculo de pedras, que nunca terá sido construído.

Ao analisar as pedras utilizadas, percebe-se que foram minuciosamente cortadas para que uma se encaixasse sobre a outra, formando os chamados trilitos. Embora já estejam bastante apagadas devido à acção do tempo, diversas pedras exibem desenhos ou inscrições rupestres feitas pelas antigas civilizações.

[editar] A arqueoastronomia

Nas décadas de 1950 e de 1960, o professor Alexander Thom, coordenador da Universidade de Oxford e o astrónomo Gerald Hawkins abriram caminho para um novo campo de pesquisas, a Arqueoastronomia, dedicado ao estudo do conhecimento astronómico de civilizações antigas.

Ambos conduziram exames acurados nestes e noutros círculos de pedra e em numerosos outros tipos de estruturas megalíticas, associando-os a alinhamentos astronómicos significativos nas épocas em que foram erguidos. Estas evidências sugeriram que foram usados como observatórios astronómicos.

Além disso, os arqueoastrónomos revelaram as habilidades matemáticas extraordinárias e a sofisticação da engenharia que os primitivos europeus desenvolveram, antes mesmo das culturas egípcia e mesopotâmica. Dois mil anos antes do teorema de Pitágoras, constatou-se que os construtores de Stonehenge incorporavam conhecimentos matemáticos como o conceito e o valor do π (Pi) nos seus círculos de pedra.

[editar] Características

Localização de Stonehenge na Grã-Bretanha.
Localização de Stonehenge na Grã-Bretanha.

Stonehenge é uma estrutura composta, onde se identificam três períodos de construção distintos:

  • O chamado Período I (c. 3100 a.C.), quando o monumento não passava de uma simples vala circular com 97,54 metros de diâmetro, dispondo de uma única entrada. Internamente erguia-se um banco de pedras e um santuário de madeira. Cinquenta e seis furos externos ao seu perímetro continham restos humanos cremados. O círculo estava alinhado com o pôr do Sol do último dia do Inverno, e com as fases da Lua.
  • Durante o chamado Período II (c. 2150 a.C.) deu-se a realocação do santuário de madeira, a construção de dois círculos de pedras azuis (coloridas com um matiz azulado), o alargamento da entrada, a construção de uma avenida de entrada, marcada por valas paralelas alinhadas com o Sol nascente do primeiro dia do Verão, e a erecção do círculo externo, com 35 pedras que pesavam toneladas. As altas pedras azuis, que pesam quatro toneladas, foram transportadas das montanhas de Gales, a cerca de 24 quilómetros ao Norte.
  • No chamado Período III (c. 2075 a.C.), as pedras azuis foram derrubadas e pedras de grandes dimensões (megálitos) - ainda no local - foram erguidas. Estas pedras, medindo em média 5,49 metros de altura e pesando cerca de 25 toneladas cada, foram transportadas do Norte por 19 quilómetros. Entre 1500 a.C. e 1100 a.C., aproximadamente sessenta das pedras azuis foram restauradas e erguidas num círculo interno, com outras dezenove, colocadas em forma ferradura, também dentro do círculo.

Estima-se que essas três fases da construção requereram mais de trinta milhões de horas de trabalho.

Recolhendo os dados a respeito do movimento de corpos celestiais, as observações de Stonehenge foram usadas para indicar os dias apropriados no ciclo ritual anual. É importante mencionar que a estrutura não foi usada somente para determinar o ciclo agrícola, uma vez que nesta região o Solstício de Verão ocorre muito mais tarde que o começo da estação de crescimento e o Solstício de Inverno bem depois do fim da colheita. Desta forma, as teorias actuais a respeito da finalidade de Stonehenge sugerem o seu uso simultâneamente para observações astronómicas e a funções religiosas, sendo improvável que estivesse a ser utilizado após 1100 a.C..


A respeito da sua forma e função arquitetónicas, os estudiosos sugeriram que Stonehenge - especialmente os seus círculos mais antigos - pretendia ser a réplica de um santuário de pedra, sendo que os de madeira eram mais comuns em épocas Neolíticas.

No dia 21 de Junho, o Sol nasce exactamente sob a pedra principal.

Segundo dados mais recentes, obtidos por arqueólogos chefiados por Mike Parker Pearson, Stonehenge está relacionada com a existência do povoado Durrington. Este povoado, formado por algumas dezenas de casas construídas entre 2600 a.C. e 2500 a.C., situado em Durrington Walls, perto de Salisbury, é considerado a maior aldeia neolítica do Reino Unido. Segundo os arqueólogos, foi aí encontrada uma espécie de réplica de Stonehenge, em madeira.

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

Commons
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[editar] Referências

  1. Dig pinpoints Stonehenge origins, artigo e vídeo de 21 de Setembro, publicado no BBC News

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No século XX, arqueólogos, através da técnica de datação do Carbono 14, estabeleceram que a construção de Stonehenge teve início em torno de 2950 a.C. e encerrou-se em aproximada- mente 1600 a.C.. Portanto, as primeiras pedras erguidas nesta obra sustentam-se há mais de 5000 anos.

Se a construção de Stonehenge se estendeu por mais de 13 séculos e técnicas diferentes foram utilizadas para erguer o monumento, considera-se que vários povos habitaram o local neste período. Assim, não apenas uma, mas algumas culturas que habitaram a região atuaram em sua construção.

Não há referências seguras sobre quais povos participaram desse trabalho. Mas há evidências arqueológicas de que há cerca de 10 mil anos, naquela região, já havia presença humana. No século XVIII, William Stukeley, astrólogo e membro da maçonaria, argumentava que era um templo construído pelos druidas, sacerdotes do povo celta. Mas os celtas estabilizaram-se cerca de 1000 anos após a conclusão do monumento. Portanto, esta possibilidade é descartada e conclui-se que Stonehenge teria sido obra de povos anteriores aos celtas.

Recentemente, em 2003, operários que instalavam tubulações em Boscombe, área próxima ao sítio histórico de Stonehenge, encontraram uma tumba coletiva com sete corpos (três crianças, um adolescente e três homens). Ao lado dos esqueletos, havia pontas de flecha e potes de barro datados de 2300 a.C., época da construção de Stonehenge. Ao analisar as camadas de esmalte dos dentes dos esqueletos, pesquisadores descobriram traços da composição da água encontrada na região de Wales, local de origem das pedras centrais de Stonehenge. Essa evidência levou à conclusão que os Arqueiros de Boscombe (como foram apelidados) provavelmente, ajudaram a erguer as pedras do monumento.

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