Sismo

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Fotografia do "Big One", o grande sismo em San Francisco (EUA) de 1906.
Fotografia do "Big One", o grande sismo em San Francisco (EUA) de 1906.
Gravura do grande terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755, mostra o terceiro sismo mais forte registado no mundo.
Gravura do grande terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755, mostra o terceiro sismo mais forte registado no mundo.

Um sismo (conhecido também por terramoto) é um fenómeno de vibração brusca e passageira da superfície da Terra, resultante de movimentos subterrâneos de placas rochosas, de actividade vulcânica, ou de deslocamentos (migração) de gases no interior da Terra, principalmente de metano.

O movimento é causado pela liberação rápida de grandes quantidades de energia sob a forma de ondas sísmicas.

A maior parte dos terramotos ocorrem nas fronteiras entre placas tectónicas, ou em falhas entre dois blocos rochosos. O comprimento de uma falha pode variar de alguns centímetros até milhares de quilómetros, como é o caso da falha de San Andreas na Califórnia, Estados Unidos.

Só nos Estados Unidos, ocorrem de 12 mil a 14 mil terremotos anualmente (ou seja, aproximadamente 35 por dia). Baseado em registros históricos de longo prazo, aproximadamente 18 grandes terramotos (de 7,0 a 7,9 na Escala de Richter) e um terremoto gigante (8 ou acima) podem ser esperados por ano.

Entre os efeitos dos terramotos estão a vibração do solo, abertura de falhas, deslizamentos de terra, tsunamis, mudanças na rotação da Terra, além de efeitos deletérios em construções feitas pelo homem, resultando em perda de vidas, ferimentos e altos prejuízos financeiros e sociais (como o desabrigo de populações inteiras, facilitando a proliferação de doenças, fome, etc.).

O maior terramoto já registado foi o Grande Terramoto do Chile em 1960 que atingiu 9.5 na escala de Richter seguido pelo da Indonésia em 2004 que atingiu 9.3 na mesma escala.

Índice

[editar] Tipos de sismos

[editar] Sismos de origem natural

Esquema: foco (ou hipocentro) e epicentro
Esquema: foco (ou hipocentro) e epicentro

A maioria dos sismos está relacionada com natureza tectónica da Terra, sendo designados sismos tectónicos. A força tectónica das placas é aplicada na Litosfera, que desliza lenta mas constantemente sobre a Astenosfera devido às correntes de convecção com origem no Manto e no Núcleo (ver Tectónica de Placas).

As placas podem afastar-se (tensão), colidir (compressão) ou simplesmente deslizar uma pela outra (torsão). Com a aplicação destas forças, a rocha vai-se alterando até atingir o seu ponto de elasticidade, após o qual a matéria entra em ruptura e sofre uma libertação brusca de toda a energia acumulada durante a deformação elástica. A energia é libertada através de ondas sísmicas que se propagam pela superfície e interior da Terra.

As rochas profundas fluem plasticamente (têm um comportamento dúctil – astenosfera) em vez de entrar em ruptura (que seria um comportamento sólido – litosfera).

Estima-se que apenas 10% ou menos da energia total de um sismo se propague através das ondas sísmicas.

Aos sismos que ocorrem na fronteira de placas dá-se o nome de sismos interplacas, sendo os mais frequentes, aos que ocorrem dentro da mesma placa litosférica dá-se o nome de sismos intraplacas e são menos frequentes.

Os sismos intraplacas também podem dar origem a sismos profundos, segundo as zonas de subducção ou zonas de Benioff, ocorrendo entre os 100 e os 670 km. Devem-se à transformação de minerais - devido aos minerais se transformarem noutros mais densos - e este processo é repentino. Pode ocorrer, por esemplo, no caso da desidratação da olivina, em que esta se transforma em vidro.

Também podem ser sismos de origem vulcânica, devendo-se às movimentações de magma dentro da câmara magmática ou devido à pressão causada por este quando ascende à superfície, servindo assim para prever erupções vulcânicas. Está mais associado ao vulcanismo do tipo explosivo que às do tipo efusivo.

Existem ainda os sismos de afundamento, que ocorrem na sequência de deslizamentos de correntes turbídicas (grandes fragmentos de rocha que deslizam no talude continental) ou devido ao abatimento de cavidades ou do tecto de grutas.

[editar] Sismos induzidos

Estes são sismos associados à acção humana quer directa quer indirectamente. Podem dever-se à extração de minerais, de água dos aquíferos ou de combustíveis fósseis, devido à pressão da água das albufeiras das barragens, grandes explosões ou à queda de grandes edifícios.

Apesar de causarem vibrações na Terra, estes não podem ser considerados sismos no sentido lato, uma vez que geralmente dão origem a registos ou sismogramas diferentes dos terramotos de origem natural.

Alguns terramotos ocasionais têm sido associados à construção de grandes barragens e do enchimento das albufeiras por estas criadas, por exemplo na barragem de Kariba na Zâmbia (África).

O maior sismo induzido por esta causa ocorreu a 10 de Dezembro de 1967, na região de Koyna, a oeste de Madrasta, na Índia. Teve uma magnitude de 6.3 na escala de Richter. Também podem ter a sua origem na extracção de gás natural de depósitos subterrâneos.

Podem também ser provocados pela detonação de explosivos muito fortes, ou por explosões nucleares, que podem causar uma vibração de baixa magnitude. Assim, a bomba nuclear de 50 megatoneladas, a Bomba tsar detonada pela URSS em 1961, criou um sismo comparável aos de magnitude 7, produzindo vibrações tão fortes que foram registadas nos antípodas.

Para verificar o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, a Agência Internacional de Energia Atómica usa as ferramentas da sismologia para detectar actividades ilícitas tais como os testes de armamento nuclear. Com este sistema é possível determinar exactamente onde ocorreu uma explosão.

[editar] Profundidade dos sismos

Os sismos podem ser classificados de três formas: superficiais, intermédios e profundos.

  • Superficiais – ocorrem entre a superfície e os 70 km de profundidade (85%)
  • Intermédios – ocorrem entre os 70 e os 350 km de profundidade (12%)
  • Profundos – ocorrem entre os 350 e os 670 km de profundidade (3% dos sismos)
  • Em profundidade - superiores a 700 km, são muito raros

Na crosta continental, a maior parte dos sismos ocorre entre os 2 e os 20 km, sendo muito raros abaixo dos 20 km, uma vez que a temperatura e pressão são elevadas, fazendo com que a matéria seja dúctil e tenha mais elasticidade.

Como a crosta oceânica é fria, os sismos podem ser mais profundos nas zonas de subducção.

[editar] Fenómenos Secundários

[editar] Sinais precursores

  • Ocorrência de microssismos;
  • Alteração da condutividade eléctrica;
  • Flutuações no campo magnético;
  • Modificações na densidade das rochas;
  • Variação dos níveis da água em poços próximos das falhas;
  • Aumento da emissão de rádon;
  • Anomalias no comportamento dos animais.

[editar] Após o sismo

[editar] Distribuição geográfica dos sismos

Epicentros de terramotos na Terra, 1963-1998 (cortesia NASA)
Epicentros de terramotos na Terra, 1963-1998 (cortesia NASA)

Os sismos ocorrem sobretudo nas zonas situadas no rebordo das placas tectónicas, zonas de intensa actividade sísmica. São frequentes tanto nos limites divergentes como nos limites convergentes.

A zona onde a actividade sísmica é mais intensa é no Círculo de fogo do Pacífico ou zona circumpacífica, que passa por toda a zona montanhosa do continente americano (Andes, montanhas Rochosas e ilhas Aleutas) e o lado ocidental do oceano (Japão, Filipinas, Nova Guiné, ilhas Fiji, Nova Zelândia). É nesta zona que ocorrem 80 % dos sismos a nível mundial.

A cintura mediterrânea asiática também é importante e estende-se de Gibraltar ao sudeste asiático (15% dos sismos), sendo esta a zona junto à qual Portugal está localizado.

[editar] Sismicidade histórica em Portugal

Portugal tem sido afectado por vários sismos de magnitude moderada a forte, que muitas vezes resultaram em danos importantes em várias cidades do país.

A maior parte dos sismos graves tiveram origem em zonas interplacas - cuja sismicidade pode considerar-se elevada, uma vez que Portugal está perto da fronteira entre a placa africana e a eurasiática (podem ser sismos de magnitude elevada (M>6) -, o seu epicentro localiza-se no oceano e têm períodos de retorno de algumas centenas de anos – aponta-se para que sismos com a intensidade do de 1755 tenham uma periodicidade de cerca de 250 anos).

Os epicentros dos maiores sismos localizam-se perto do banco de Gorringe, a Sudoeste do Cabo de São Vicente.

Sismos de alguma importância em Portugal continental:

  • 382 – sismo seguido da submersão de ilhas ao largo do cabo de São Vicente;
  • 1 de Novembro de 1755, seguido de maremoto (Terramoto de 1755) – foi mais sentido no Algarve do que em Lisboa (pensa-se que a sua origem teve origem numa região e não num epicentro);
  • 1969 – epicentro no banco de Gorringe.

A sismicidade é moderada nos sismos de origem intraplaca, passando a baixa no Norte de Portugal (o que não implica que nestas zonas não possam ocorrer sismos com magnitudes significativas, mas o seu período de retorno é na ordem dos milhares ou dezenas de milhar de anos).

Sismos com origem nas falhas na intraplaca, em Portugal Continental:

  • Vale Inferior do Tejo (VIT) – sismo com epicentro em Benavente (1909) e sismo de 1531;
  • Falha de Loulé – sismo de 1722 (há quem defenda que foi ao largo de Tavira, logo não teve origem nesta falha) e sismo de 1856;
  • Falha de Portimão – 1719;
  • Falha da Vilariça – é uma falha relativamente estável;
  • Vale submarino do Sado – deu origem a um dos maiores sismos em zonas intraplacas a nível global (1858);
  • Falha Nazaré-Pombal;
  • Outros – 60 a.C., seguido de maremoto (perto da Galiza).

O arquipélago dos Açores também é bastante afectado pelos sismos (principalmente os grupos Central e Oriental), e por vezes esta actividade está associada à actividade vulcânica.

Ainda que o arquipélago dos Açores não esteja no limite de placas, esta sismicidade é causada por um Hot Spot ou pluma mantélica.

A sismicidade não tem grande importância no Arquipélago da Madeira.

[editar] Sismos no Brasil

No Brasil registram-se poucos abalos sismicos. Em média ocorrem a cada ano um sismo de 1 a 3 graus na Escala Richter e a cada cinco anos podem ocorrer abalos de magnitude 4 ou mais.

O local onde frequentemente são registados tremores é na cidade de Bebedouro em São Paulo, ocorrendo tremores de magnitude 2 e 3 quase todos os anos. O maior tremor registrado no Brasil atingindo 6,6 graus na escala Richter foi na Serra do Tambador no Mato Grosso em 31 de Janeiro de 1955.

Recentemente foi registrado um sismo em Manaus de magnitude 3, no dia 15 de Agosto de 2007. O abalo foi registado apenas nos edifícios altos da cidade.[carece de fontes?]

[editar] Caso recente

Esquema representando o epicentro do terremoto de 26 de Dezembro de 2004.
Esquema representando o epicentro do terremoto de 26 de Dezembro de 2004.

A 26 de Dezembro de 2004, milhares de asiáticos foram surpreendidos por um terremoto seguido por ondas gigantes, conhecidas como tsunamis, que causaram um cenário de destruição total em diversas cidades do litoral.

A invasão das águas marinhas, que se misturaram às dos esgotos danificados pelo impacto, desencadeou rapidamente epidemias de leptospirose e outras doenças transmissíveis pela água.

O acontecimento causou uma mobilização mundial. Milhares de pessoas em todo o mundo contribuíram com roupas, calçados, alimentos, dinheiro e medicamentos.

[editar] Construção anti-sísmica

Para evitar a devastação causada pelos sismos, os países mais avançados tecnologicamente têm vindo a desenvolver técnicas de construção anti-sísmica, isto é, novas regras e métodos de construção dos edifícios que os tornam mais resistentes aos abalos sísmicos.

Países como o Japão e os Estados Unidos da América têm desenvolvido fortes esforços no melhoramento da resistência dos edifícios às vibrações da crosta provocadas pela brusca libertação de energia, que ocorre quando há um sismo de elevada magnitude.

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[editar] Ver também

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[editar] Ligações externas

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