Sânscrito
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| Sânscrito (संस्कृतम् saṃskṛtam) | ||
|---|---|---|
| Falado em: | Ásia | |
| Região: | Índia e algumas outras áreas da Ásia Meridional, partes do Sudeste da Ásia | |
| Total de falantes: | 49 736 (1991) | |
| Família: | Indo-européia Indo-ariana Sânscrito |
|
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: | Índia (uma as línguas oficiais) | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | sa | |
| ISO 639-2: | san | |
| ISO 639-3: | san | |
A língua sânscrita, ou simplesmente sânscrito, (संस्कृत; em devanāgarī, pronuncia-se saṃskṛta) é uma língua da Índia, com uso litúrgico no Hinduísmo, Budismo, Jainismo. O sânscrito faz parte do conjunto das 23 línguas oficiais da Índia.
Com relação à sua origem, a língua sânscrita é uma das línguas indo-européias, pertencendo, portanto, ao mesmo tronco lingüístico de grande parte dos idiomas falados na Europa. Um dos sistemas de escrita tradicionais do sânscrito é o devanāgarī, uma escrita silábica cujo nome é um composto nominal formado pelas palavras deva ("deus", "sacerdote") e nāgarī ("urbano(a)"), que significa "[escrita] urbana dos deuses". O sânscrito foi registrado ao longo de sua história sob diversas escritas, visto que cada região da Índia possui uma escrita e uma tradição cultural particularmente diferenciada. A escrita devanágari (seu nome, em português, é acentuado como proparoxítona) acabou-se tornando a mais conhecida devido a ser a mais utilizada em edições impressas de textos originais.
É uma das línguas mais antigas da família Indo-Européia. Sua posição nas culturas do sul e sudeste asiático é comparável ao latim e o grego na Europa e foi uma proto-língua, pois influenciou diversas outras línguas modernas. Ela aparece em forma pré-clássica como o sânscrito védico, sendo o idioma do Rigveda o seu estado mais antigo preservado, desenvolvido em torno de 1500 a.C.[1]; de fato, o sânscrito rigvédico é uma das mais antigas línguas indo-iranianas registradas, e um dos membros mais antigos registrados da família de línguas indo-européias[2]. O sânscrito é também o ancestral das linguagens praticadas da Índia, como o Pali e a Ardhamgadhi. Pesquisadores descobriram e preservam mais documentos em sânscrito do que documentos em latim e grego. Os textos védicos foram escritos em uma forma de sânscrito.
Índice |
[editar] História
[[Ficheiro:Devimahatmya Sanskrit MS Nepal 11c.jpg|right|thumb|400px|Manuscrito Devimahatmya em folha de palmeira, na antiga escrita Bhujimol, Bihar ou Nepal, 11th century.]]
O nome do idioma saṃskṛtam é derivado do particípio passado saṃskṛtaḥ 'feito por si próprio', do verbo saṃ(s)kar- 'fazer-se', formado por saṃ- 'com, junto, auto-' e (s)kar- 'fazer, criar'. No uso moderno, o adjetivo verbal saṃskṛta- passou a significar "culto", "refinado". A linguagem chamada de saṃskṛtā vāk "a língua dos cultos" tem sempre sido, por definição, um "alto" idioma, usado para discurso religioso e instruído, e contrasta com as linguagens faladas pelo povo. Também é chamado de deva-bhāṣā, que significa "linguagem dos deuses". A mais antiga gramática do sânscrito conhecida é o Aṣṭādhyāyī ("Gramática de Oito Capítulos") de Pāṇini, aproximadamente do século V a.C.. É essencialmente uma gramática prescritiva, isto é, uma autoridade que define (ao invés de descrever) o sânscrito correto, embora contenha partes descritivas, mais para registrar formas védicas que já haviam caído em desuso no tempo de Panini.
O sânscrito pertence à subfamília indo-iraniana da família indo-européia de línguas. Como tal, é parte do grupo Satem de línguas indo-européias, que também inclui o tronco balto-eslávico.
Quando o termo surgiu na Índia, "sânscrito" não era considerado uma linguagem específica separada das outras, mas uma maneira particularmente refinada ou aperfeiçoada de se falar. Conhecimento de sânscrito era uma marca de classe social e educação, e a linguagem era ensinada principalmente para membros de castas mais altas, através de análise profunda dos gramáticos sânscritos como Pāṇini. Sânscrito, como a linguagem instruída da Índia antiga, assim existiu junto com os prácritos (vernáculos), que evoluíram nas linguagens indo-arianas modernas (hindi, nepali, assamês, marata, concani, urdu, bengali etc.). O sânscrito foi exposto à influência do substrato das línguas dravidianas desde tempos muito antigos[3].
[editar] Sânscrito védico
[[Ficheiro:Rigveda MS2097.jpg|right|thumb|400px|Manuscrito do Rigveda escrito no alfabeto devanagari.]] Sânscrito, como definido por Pāṇini, evoluiu da forma mais antiga, a "védica". Estudiosos geralmente distinguem sânscrito védico e sânscrito clássico ou "paniniano" como dialetos separados. No entanto, são muito similares e só diferem em alguns pontos de fonologia, vocabulário e gramática. O sânscrito clássico é considerado como tendo descendido do sânscrito védico. O sânscrito védico é a linguagem dos Vedas, uma extensa coleção de hinos, encantamentos e discussões religio-filosóficas que são os textos religiosos mais antigos da Índia e da religião hindu. Lingüistas modernos consideram os hinos métricos do Rigveda Samhita os mais antigos, compostos por muitos autores ao longo dos séculos de tradição oral. O fim do período védico é marcado pela composição dos Upanishads, que formam a parte conclusiva do corpus védico nas compilações tradicionais. A hipótese atual sustenta que a forma védica do sânscrito sobreviveu até a metade do primeiro milênio AC. Foi por volta dessa época que o sânscrito começou a transição de uma primeira linguagem a uma segunda linguagem de religião e instrução, marcando o começo do período clássico[4].
[editar] Sânscrito clássico
Uma forma significante do sânscrito pós-védico é encontrada no sânscrito dos épicos hindus—o Ramayana e o Mahabárata. Os desvios de Pāṇini nos épicos são geralmente considerados como sendo por causa da interferência dos prácritos ou "inovações"[5], e não por serem pré-paninianos." Estudiosos tradicionais de sânscrito chamam tais desvios de aarsha (आर्ष), ou "dos rishis", o título tradicional dos autores antigos. Em alguns contextos havia ainda mais "pracritismos" (uso de palavras e expressões da fala comum) que na forma própria do sânscrito clássico. Finalmente, há uma linguagem chamada de "Sânscrito híbrido budista" por estudiosos, que é, na verdade, um prácrito ornamentado com elementos sanscritizados. De acordo com Tiwari ([1995] 2004), houve quatro principais dialetos do sânscrito: paścimottarī (do noroeste, também chamado de setentrional ou ocidental), madhyadeśī (central, lit., "do meio do país"), pūrvi (oriental) e dakṣiṇī (meridional, surgido no período clássico). Os três primeiros são até mesmo registrados nos Brāhmaṇas védicos, de que o primeiro era considerado o mais puro (Kauṣītaki Brāhmaṇa, 7.6 ).
[editar] Escolaridade européia
right|thumb|250px|Sir William Jones A escolaridade européia em sânscrito, iniciada por Heinrich Roth (1620–1668) e Johann Ernst Hanxleden (1681–1731), é considerada responsável pela descoberta da família lingüística indo-européia por Sir William Jones, e teve um papel importante no desenvolvimento da lingüística ocidental.
Sir William Jones, falando com a Asiatic Society em Calcutá (atual Kolkata) em 2 de fevereiro, 1786, disse:
- A linguagem Sânscrita, seja qual for sua idade, é de uma linda estrutura; mais perfeita que o Grego, mais copiosa que o Latim, e mais precisamente refinada que os dois, ainda compartilha com ambos uma forte afinidade, tanto nas raízes dos verbos quanto nas formas de gramática, mesmo que possivelmente tenha sido criada por acidente; é, na verdade, tão forte, que nenhum filólogo poderia examinar as três sem acreditar que tenham nascido de uma fonte comum, que, talvez, nem exista mais.[6]
[editar] Sistemas de transliteração para línguas latinas
A prática de transcrever os caractéres sânscritos para a escrita em alfabeto latino chama-se transliteração. Há várias normas vigentes para a transliteração de outras escritas, como o sânscrito, para o alfabeto latino.
A transliteração acadêmica, a mais usada na tradução dos textos clássicos para o ocidente, é a IAST (sigla em inglês para International Alphabet of Sanskrit Translation, "alfabeto internacional de transliteração do sânscrito"), que usa diacríticos.
A transcrição ITRANS tem sido a mais usada na internet, e é encontrada em vários sites produzidos na Índia, pelo fato de não usar diacríticos - que não existem em inglês, a língua usada em computação. Em lugar deles, dobra a letra ou usa maiúsculas para indicar a diferença de pronúncia. Isto é possível pelo fato de o sânscrito não possuir letras maiúsculas.
A transcrição Harvard-Kyoto também é muito utilizada. Foi criada pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Kyoto como sistema de transliteração em ASCII para o sânscrito e outras línguas que utilizam o Devanágari. É utilizada predominantemente em e-mails e textos eletrônicos.
[editar] Pronúncia
Com o advento da internet e o ressurgimento do sânscrito como língua falada, têm surgido cada vez mais sites que ensinam a pronúncia do sânscrito. O uso do som torna desnecessário recorrer a complicados sistemas de transliteração, que costumam gerar discussões bizantinas sobre prosódia e ortoépia, já que se pode aprender a pronunciar cada letra ouvindo-a.
Visite, por exemplo:
- Avashy Interativo, com testes para você identificar a letra pela pronúncia.
- Australian National University Ouça a pronúncia ao mesmo tempo em que identifica o som no mapa IPA.
- Alphabet Mostra a transliteração ITRANS e a pronúncia desta.
[editar] Gramática
[editar] Influência
[editar] Nas línguas vernáculas
A maior influência do sânscrito é exercida sobre as línguas que se desenvolveram a partir do seu vocabulário e base gramatical. O sânscrito é valorizado como repositório de escrituras e a língua das preces hindus, especialmente entre as elites indianas. Comparável ao que é o latim para as línguas europeias e o chinês clássico para as línguas da Ásia Oriental, a influência do sânscrito tem sido grande na maioria das línguas indianas.
Apesar de as preces nas línguas vernáculas serem comuns, os mantras em sânscrito são recitados por milhões de hindus e a maioria das atividades dos templos são conduzidas inteiramente em sânscrito, muitas vezes na forma védica. Nas línguas indianas modernas, enquanto que o hindi e o urdu tendem a ser mais fortemente influenciados pelo persa e pelo árabe, o bengali, o assamês, o concani e o marata mantêm um vocabulário com uma ampla base no sânscrito. O hino nacional, Jana Gana Mana, é escrito numa forma literária de bengali (conhecido como shuddha bhasha), sanscritizado de modo a ser reconhecível, mas ainda arcaico para o ouvido moderno.
A música nacional indiana Vande Mataram, que foi originalmente um poema composto por Bankim Chandra Chattopadhyay tirado do seu seu livro Anandamath, está igualmente numa forma altamente sanscritizada de bengali. O malaiala, o télugo e o canará também combinam uma grande quantidade de vocabulário baseado no sânscrito.
[editar] Tentativas de o reviver
O censo indiano de 1991 referiu 49.736 falantes fluentes de sânscrito. Desde os anos 90, os esforços para reviver o sânscrito falado têm aumentado. Muitas organizações como a Samskrta Bharati realizam conferências de sãnscrito falado para popularizar a língua. O Departamento Central de Educação Secundária na Índia tornou o sânscrito uma terceira língua (apesar de ser uma opção para a escola adoptá-la ou não, sendo a outra escolha a língua oficial do estado) nas escolas que coordena. Nestas escolas a aprendizagem do sânscrito é uma opção entre o 5º e o 8º anos. Isto é verdade para a maioria das escolas, incluindo mas não estando limitado às escolas missionárias cristãs, também afiliadas com o Departamento Central de Educação Secundária, especialmente nos estados onde a língua oficial é o hindi. O Sudharma, o único jornal diário em sânscrito têm sido publicado a aprtir de Mysore, na Índia, a partir do ano de 1970.
O sânscrito é além disso falado como língua materna pela população da aldeia de Mattur no Karnataka. As pessoas de todas as castas aprendem o sânscrito a partir da infância e conversam usando a língua.
[editar] Lista de termos em Sânscrito
- Abhasa
- Abhava
- Abhicara
- Abhidhana
- Abhimana
- Abhinivesha
- Abhyasa
- Abhyasi
- Acara
- Achara
- Acharya
- Acyuta
- Adhama
- Adhara
- Adrishta
- Agastya
- Agarbha
- Agnisara
- Ajapa
- Alambusha
- Alasya
- Alinga
- Ananda
- Bhadrasana
- Caitanya
- Dharana
- Dhyāna
- Keshara
- Prajna
- Sadhana
- Shakha
- Vidya
[editar] Ver também
[editar] Dicionários de sânscrito online
- Brief glossary of sanskrit Com as palavras mais usadas no âmbito espiritual (em inglês).
- Monier-Williams Dictionary Monier-Williams, dicionário sânscrito-inglês, (e vicer-versa) versão por busca de palavra. Usa a transliteração HK (Harvard-Kyoto).
- Monier-Williams Dictionary Downloadable Excelente versão para download (gratuito.
- Monier-Williams Dictionary - Printable Versão para impressão da edição original de 1899.
- Online Sanskrit Dictionary Em formatos postscript/PDF/XDVNG/ITX/texto
[editar] Ligações externas
- Hinos Védicos Tradução para o português dos textos mais antigos que se conhecem em sânscrito.
- Transliteration: how to use ISO 15919 Guia para código internacional de transliteração (em inglês).
- SANSCRIT ETYMOLOGICAL SOURCES - COGNATES
- Swásthya - A Cultura Tradução de textos clássicos em português com explicações sobre o sânscrito.
[editar] Notas
- ↑ Macdonell (2004:?)
- ↑ Burrow (2001:?)
- ↑ Hamp, Eric P. (Oct-Dec, 1996). On the Indo-European origins of the retroflexes in Sanskrit. Journal of the American Oriental Society, The. Página visitada em 8 January 2009.
- ↑ DESHPANDE, Madhav (2007), Samskrita-Subodhini, Quarta Edição, pág. xiv. ISBN 0-89148-079-X
- ↑ Oberlies, "A Grammar of Epic Sanskrit", p.XXIX
- ↑ Traduzido do inglês: The Sanskrit language, whatever be its antiquity, is of a wonderful structure; more perfect than the Greek, more copious than the Latin, and more exquisitely refined than either, yet bearing to both of them a stronger affinity, both in the roots of verbs and in the forms of grammar, than could possibly have been produced by accident; so strong, indeed, that no philologer could examine them all three, without believing them to have sprung from some common source, which, perhaps, no longer exists.
[editar] Bibliografia
- Introduções
- The Sanskrit Language – T. Burrow – ISBN 81-208-1767-2
- Sanskrit Pronunciation – Bruce Cameron – ISBN 1-55700-021-2
- Teach Yourself Sanskrit – Prof. M. Coulson – ISBN 0-340-85990-3
- Devavāṇīpraveśikā: An Introduction to the Sanskrit Language – Robert P. Goldman – ISBN 0-944613-40-3
- A Higher Sanskrit Grammar – M. R. Kale – ISBN 81-208-0178-4
- A Sanskrit Grammar for Students – A. A. Macdonell – ISBN 81-246-0094-5
- The Sanskrit Language: An Introductory Grammar and Reader – Walter Harding Maurer – ISBN 0-7007-1382-4
- Conversational Sanskrit – Dr. Vagish Shastri – ISBN 81-85570-12-4
- भाषा विज्ञान (Bhasha Vigyan) — Bholanath Tiwari — [1955] 2004 — ISBN 81-225-0007-2
- A Practical Grammar Of The Sanskrit Language Arranged With Reference To The Classical Languages Of Europe For The Use Of English Students - Monier Monier-Williams (1846) [1]
- Gramáticas
- W. D. Whitney, Sanskrit Grammar: Including both the Classical Language and the Older Dialects
- W. D. Whitney, The Roots, Verb-Forms and Primary Derivatives of the Sanskrit Language: (A Supplement to His Sanskrit Grammar)
- Wackernagel, Debrunner, Altindische Grammatik, Göttingen.
- vol. I. phonology [2] Jacob Wackernagel (1896)
- vol. II.1. introduction to morphology, nominal composition, Wackernagel (1905) [3]
- vol. II.2. nominal suffixes, J. Wackernagel and Albert Debrunner (1954)
- vol. III. nominal inflection, numerals, pronouns, Wackernagel and Debrunner (1930)
- B. Delbrück, Altindische Tempuslehre (1876) [4]
- Dicionários
- Otto Böhtlingk, Rudolph Roth, Petersburger Wörterbuch, 7 vols., 1855-75
- Otto Böhtlingk, Sanskrit Wörterbuch in kürzerer Fassung 1883–86 (1998 reprint, Motilal Banarsidass, Delhi)
- Monier Monier-Williams, Sanskrit-English Dictionary (1898, 1899)
- Manfred Mayrhofer, Kurzgefasstes etymologisches Wörterbuch des Altindischen, 1956-76
- Manfred Mayrhofer, Etymologisches Wörterbuch des Altindoarischen, 3 vols., 2742 pages, 2001, ISBN 3-8253-1477-4
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