Orquídea

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Wikipedia:Como ler uma caixa taxonómica
Como ler uma caixa taxonómica
Orchidaceae
Flor de Epidendrum philocremnum
Flor de Epidendrum philocremnum
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Asparagales
Família: Orchidaceae

Plantas maioritariamente epífitas, as orquídeas (família Orchidaceae), crescem geralmente em árvores, usando-as somente como apoio para buscar luz. Não são plantas parasitas. Possuem muitas e variadas formas e cores, já que se reproduzem facilmente entre espécies semelhantes.

Índice

[editar] Taxonomia

Ver artigo principal: Taxonomia da família Orchidaceae
BrassolaeliocattleyaTurambeat,híbrido entre os géneros Brassavola, Laelia e Cattleya.
Brassolaeliocattleya
Turambeat,
híbrido entre os géneros Brassavola, Laelia e Cattleya.

As orquídeas pertencem à ordem Asparagales. Alguns autores definem-na como a maior de todas as famílias botânicas, com números de espécies estimados entre 25000 e 40000. Mas o consenso geral é de que se trata da maior família botânica dentre as monocotiledóneas. Esses imponentes números desconsideram a enorme quantidade de híbridos e variedades produzidos por orquidicultores todos os anos. A quantidade de géneros conhecidos também é surpreendente, superando os 700.

A família Orchidaceae subdivide-se em cinco subfamílias (números estimados de géneros e espécies pelo Phylogeny Group):

Epidendrum fulgens, planta nativa do litoral brasileiro
Epidendrum fulgens, planta nativa do litoral brasileiro

As espécies de orquídeas são um desafio para os teóricos em Biologia, no que diz respeito ao próprio conceito de espécie. Há muitas orquídeas com características marcantemente próprias e diferentes de outras "espécies" que, quando postas em contacto com estas outras, podem efectuar cruzamentos e produzir híbridos férteis. Estes híbridos ainda podem ser cruzados com outras espécies, e produzir novas gerações de híbridos férteis. Há híbridos entre espécies, e até mesmo entre géneros. Há híbridos obtidos através do cruzamento de várias gerações de híbridos de 4 ou mais géneros distintos. Este fenómeno é um dos trunfos dos orquidicultores, que podem "misturar" as suas espécies e obter uma combinação quase infinita de novas formas e cores, mas também pode ocorrer naturalmente. É possível que várias "espécies" classificadas pelos botânicos sejam, na verdade, híbridos naturais há muito estabelecidos na natureza.

Esta confusão certamente influencia as flutuações do número de espécies de Orchidaceae mencionados acima, uma vez que não há sequer um consenso quanto ao que seja exactamente uma espécie de orquídea.

[editar] Morfologia

[editar] Hábito

De maneira geral, as orquídeas compartilham características exclusivas marcantes. São normalmente ervas epífitas, terrestres, litófitas, psamófitas, saprófitas ou raramente aquáticas, frequentemente rizomatosas, com raízes robustas cobertas por um tecido esponjoso chamado velame.

[editar] Folhas

As folhas apresentam morfologia variada, mas são quase sempre alternas e dísticas. O caule pode muitas vezes apresentar-se comprimido verticalmente e espessado, e é a isso que chamam pseudobulbo.

Morfologia da flor da orquídea (Phalaenopsis)
Morfologia da flor da orquídea (Phalaenopsis)

[editar] Flores

As inflorescências podem ter de uma a várias centenas de flores, de acordo com a espécie, e podem ser apicais, laterais ou basais.

As flores são normalmente de simetria bilateral, com 3 sépalas e 3 pétalas (denominadas tépalas), das quais a dorsal, diferenciada, a que chamam labelo, é expandida, ou apresenta calos, ou possui padrões de cor diferentes.

Os órgãos reprodutivos (androceu e gineceu) encontram-se reduzidos e fundidos numa estrutura central chamada coluna, ginostémio ou androstilo. O número de estames varia entre as subfamílias: a apostasioidea possui três; a cypripedioidea dois, com o estame central modificado; as demais apresentam apenas o estame central funcional, com os dois outros atrofiados ou ausentes. Os grãos de pólen encontram-se agrupados em massas cerosas chamadas polínias. O estigma é normalmente uma cavidade na coluna, onde as polínias são inseridas pelo polinizador. O ovário é ínfero, tricarpelar e possui até cerca de 1 milhão de óvulos.

[editar] Fruto

O fruto é uma cápsula, que se abre quando seca para libertar sementes minúsculas e leves, cujo embrião não passa de um aglomerado de células. As espécies de Vanilla são as únicas com frutos carnosos e sementes grandes, os quais são usados para a obtenção de baunilha.

[editar] Ecologia

Devido à grande distribuição geográfica, é natural que um grupo tão diverso também apresente adaptações muito diversas aos seus ambientes.

Ophrys lutea, uma espécie europeia terrestre "natural"
Ophrys lutea, uma espécie europeia terrestre "natural"

Nas regiões tropicais húmidas, onde a luz e a humidade são abundantes, mas a competição com espécies arbóreas é muito forte, as orquídeas assumem um hábito predominantemente epifítico. Em busca de luz sob a sombra de árvores de mais de 40 metros de altura, estas ervas crescem sobre os galhos e troncos, a alturas variadas de acordo com as necessidades de cada espécie. As raízes, expostas ao ar, obtêm a maior parte dos nutrientes do material em decomposição em seu redor, da água da chuva que lava as folhas das árvores no alto, ou da poeira existente no ar. Entremeado ao velame, existe um fungo chamado micorriza que ajuda à decomposição de matéria orgânica e à transformação desta em sais minerais, para facilitar a sua absorção. Em casos extremos de humidade, as orquídeas podem absorver toda água e os nutrientes pelos poros das folhas, relegando para as raízes apenas a função de sustentar a planta sobre o substrato. Nenhuma orquídea assume a função de parasita, ou seja, a sua presença não prejudica os hospedeiros (embora haja casos excepcionais em que o galho de uma árvore não suporte o peso de uma grande colónia de orquídeas e acabe por quebrar).

Spathoglottis plicata, espécie asiática de hábito terrestre
Spathoglottis plicata, espécie asiática de hábito terrestre

Em regiões de clima temperado, onde a erva é predominante, assim como nas áreas de savana e campos rupestres, as orquídeas são basicamente plantas terrestres, com raízes subterrâneas bem desenvolvidas, às vezes com a formação de tubérculos. Nestas áreas de clima sazonal, as plantas normalmente passam por um estágio de dormência, em que, muitas vezes, a parte aérea seca para evitar danos na sua fisiologia devido à seca, ou ao frio extremo.

De volta às florestas tropicais, também há muitas espécies terrestres, mas estas mantêm-se em desenvolvimento o ano inteiro. A grande quantidade de matéria orgânica disponível no solo da floresta favorece o surgimento de algumas poucas espécies saprófitas, orquídeas desprovidas de clorofila que obtêm toda a matéria orgânica de que precisam do material em decomposição em seu redor.

[editar] Polinização

Angraecum infundibulare, espécie asiática polinizada por mariposas nocturnas
Angraecum infundibulare, espécie asiática polinizada por mariposas nocturnas

Pela sua estrutura reprodutiva, as orquídeas obrigatoriamente necessitam do auxílio de animais para o transporte de pólen até ao órgão feminino das flores, uma vez que a massa polínica é pesada demais para ser levada pelo vento, e a parte receptiva do órgão feminino não é exposta o suficiente para recebê-la. Assim, as orquídeas selecionaram as estratégias mais fascinantes para promover a polinização. As flores podem possuir cores e aromas que atraem a atenção de polinizadores diversos, como abelhas, borboletas, mariposas diurnas e noturnas, morcegos, besouros e colibris. A sua forma e tamanho também correspondem ao tipo de polinizador.

Algumas flores podem assumir formas extremas. Orquídeas do género europeu Ophrys, por exemplo, apresentam a cor e a forma do labelo, ornado por cerdas, de maneira tal que se assemelham a fêmeas de uma certa espécie de abelhas. De forma que o macho, atraído pelo feromónio produzido pela própria flor e pela sua forma, copula com esta por engano, levando consigo as polínias, que depositará na próxima flor que visitar.

Outras, como o género Angraecum das Filipinas, com flores nocturnas, produzem néctar em tubos extremamente longos na base dos labelos, de modo que somente certas mariposas nocturnas com probóscides igualmente longas, podem alcançá-lo. Ao posicionar-se diante das flores, as mariposas esbarram com a cabeça nas anteras, fazendo com que as polínias sejam atiradas e presas em si.

Algumas orquídeas, ainda, não produzem néctar, mas perfume. Algumas abelhas visitam as flores para recolher este perfume, que acredita-se ser usado por elas para a síntese de feromonas.

Há inúmeros exemplos de estratégias de polinização entre as orquídeas, e descrevê-los todos transformaria esta página num autêntico e-book.

[editar] Cultivo

Brassocattleya "Star Ruby", híbrido entre Brassavola e Cattleya
Brassocattleya "Star Ruby", híbrido entre Brassavola e Cattleya

Pela sua beleza única, as orquídeas são extensivamente cultivadas, e o seu comércio movimenta fortunas todos os anos de maneira crescente. Mas como são tantas espécies diferentes de ambientes diferentes, é impossível apresentar os cuidados básicos de cultivo para todas elas de maneira geral. Assim, o primeiro passo para cultivar uma orquídea com sucesso é a identificação correcta da espécie em questão. Ter contacto com outros orquidófilos mais experientes pode ser útil caso surja uma planta desconhecida que se queira cultivar. Desta forma pode-se decidir com precisão a iluminação, o regime de regas, o substrato, e outros factores necessários para o êxito no cultivo.

Uma coisa é certa: as orquídeas, de maneira geral, não são plantas delicadas e frágeis como alguns acreditam. Pelo contrário, estas plantas (principalmente as providas de pseudobulbo) são extremamente resistentes, e podem sobreviver durante dias fora de um substrato. A sua capacidade de sobrevivência permite-lhes que tenham tempo para adaptar a sua fisiologia a novas condições após o replantio. Os híbridos, por sua vez, são de maneira geral extremamente resistentes, e podem prosperar mesmo em condições adversas de cultivo, crescendo mais rapidamente que as espécies ditas "naturais".

[editar] Produção

Catasetum spec.
Catasetum spec.

As orquídeas podem ser produzidas em larga escala graças à resistência das suas mudas na maioria das espécies, à quantidade de sementes produzidas em cada fruto, e à possibilidade de reprodução de meristemas in vitro.

O método mais simples de reprodução é a divisão do rizoma. Toma-se uma planta adulta com pelo menos 6 pseudobulbos formados, de preferência logo após o fim da floração, e, com uma faca afiada e esterilizada, corta-se o rizoma, de maneira a separar a planta em duas mudas com 3 pseudobulbos cada. Em casos de plantas maiores, deve-se sempre manter as mudas com o mínimo de 3 ou 4 pseudobulbos para permitir que voltem a brotar. O plantio deve ser feito no substrato adequado à espécie. A muda deve ficar fixa de alguma forma para que as novas raízes possam brotar e fixar-se no substrato. Só quando as raízes estiverem restabelecidas é que as plantas voltarão a crescer.

As sementes são diminutas, e um único fruto pode gerar milhares de novas plantas, cada uma com uma característica diferente da outra. Mas as sementes são muito pequenas, e não conseguem germinar por recursos próprios. Elas precisam das condições de acidez e da disponibilidade de nutrientes que o fungo micorriza de uma planta adulta fornece. Assim, o modo mais simples (e menos eficiente) de reprodução por sementes é simplesmente espalhá-las sobre e ao redor das raízes de orquídeas adultas, assegurando-se de que tenham humidade constante.

O método mais eficiente consiste na preparação de um substrato de musgo Sphagnum. Este deve ser esterilizado e deixado em repouso num recipiente fechado para manter a humidade. Deve-se também adicionar pedaços saudáveis de raízes de uma orquídea adulta, de preferência da espécie que se deseja reproduzir, para que o fungo possa reproduzir-se no próprio Sphagnum. Após alguns dias de descanso, semeia-se as sementes, e conserva-se o sistema num recipiente transparente. As sementes germinam em algumas semanas, e crescem muito devagar, de modo que uma planta só floresce pela primeira vez com entre 5 e 10 anos de idade.

A reprodução por meristema, ou clonagem, é mais eficiente, e consiste em retirar a ponta das raízes. Colocada em meio de cultura, e sob a influência de hormonas vegetais, o meristema transforma-se numa massa de tecido indiferenciado, capaz de dar origem a novas plântulas. As plântulas são destacadas e cultivadas em tubos de ensaio independentes, e em pouco mais de 1 ano, estão prontas para o cultivo em local definitivo. As mudas produzidas são, logicamente, clones perfeitos da planta original, sendo este método o mais aplicado para a reprodução em massa de uma determinada variedade.

[editar] Orquídeas mais populares

Laelia alaorii, espécie nativa do Brasil central
Laelia alaorii, espécie nativa do Brasil central

Estes são alguns dos géneros mais cultivados dentre as orquídeas (há que lembrar que ao clima de cada região, certas espécies de orquídea adaptam-se melhor do que outras, de forma que a lista seguinte contém géneros que podem prosperar numa região, mas não noutra):

[editar] Híbridos

Há ainda inúmeros híbridos, a maioria deles gerada pelo cruzamento entre espécies dos géneros citados acima. Nesse caso, o nome científico geralmente é uma fusão dos nomes de dois ou mais géneros utilizados, como por exemplo:

Miltonia clowesii, espécie nativa das matas brasileiras
Miltonia clowesii, espécie nativa das matas brasileiras

Outras nomenclaturas são utilizadas quando o número de híbridos é igual ou superior a três, não sendo utilizada a fusão entre os dois nomes das espécies, mas outros nomes em particular, resultando em:

[editar] Índice de géneros de Orchidaceae

Índice: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

[editar] Advertência

Todas as orquídeas nativas de Portugal (cerca de cinquenta espécies) são protegidas, por isso a sua colheita é ilegal.

Muitas orquídeas encontradas em pequenas floriculturas, ou à venda pela internet são plantas que foram colhidas no seu habitat natural. Esse procedimento tem diminuído as populações naturais de orquídeas, e muitas já podem estar extintas na natureza devido a esta prática. Recomenda-se:

  • Não retirar planta alguma da natureza. Mesmo que esteja em galhos caídos, doente, ou em qualquer situação que aparentemente a levaria à morte, há a possibilidade de a planta florescer e produzir sementes antes de morrer. Retirando as plantas da natureza, anula-se a possibilidade de que esta planta seja reposta pelas suas descendentes.
  • Verificar se o vendedor possui licença para exercer o comércio de orquídeas. Se o comprador for mais experiente, avaliar as espécies disponíveis para a venda para saber a sua procedência. Algumas orquídeas não são cultivadas com sucesso em escala comercial, e a sua presença numa floricultura pode indicar que tenham sido colhidas no seu habitat natural.
  • Se possível, verificar o fornecedor das plantas. Há muitos orquidários profissionais que produzem as suas próprias plantas, mas há alguns que baseiam a sua produção em espécimes silvestres. Há mesmo alguns vendedores que recebem as plantas directamente de mateiros que as recolhem na natureza.

Estas são precauções que podem ajudar no controle da colheita ilegal de orquídeas, e podem contribuir para a sua preservação.

[editar] Ligações externas

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