México

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Estados Unidos Mexicanos
Bandeira do México
Brasão do México
Bandeira Brasão das Armas
Lema: Não tem
Hino nacional: Hino nacional do México File:Himno Nacional Mexicano instrumental.ogg
Gentílico: Mexicano

Localização do México

Capital Cidade do México
Cidade mais populosa Cidade do México
Língua oficial Espanhol ou castelhano; são reconhecidas oficialmente como línguas nacionais 62 línguas indígenas.
Governo República presidencialista
 - Presidente Felipe Calderón
Independência da Espanha 
 - Declarada 16 de Setembro de 1810 
 - Reconhecida 27 de setembro de 1821 
Área  
 - Total 1.958.201 km² (14º)
 - Água (%) 2,5
População  
 - Estimativa de 2007 108.700.891 hab. (11º)
 - Censo 2005 103.263.388[1]
 - Densidade 55 hab./km² (142°º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$1,346 trilhão USD[2] (12º)
 - Per capita US$12.772 USD (60°º)
Indicadores sociais
 - Gini (2008) 46.1[3]   – alto
 - IDH (2006) 0,842 (51º) – elevado
 - Esper. de vida 76,2 anos (48º)
 - Mort. infantil 16,7/mil nasc. (114º)
 - Alfabetização 91,6% (83º)
Moeda Peso mexicano (MXN)
Fuso horário (UTC-6 a -8)
Org. internacionais ONU (OMC), NAFTA, OEA, ALADI
Cód. ISO MEX
Cód. Internet .mx
Cód. telef. +52

Mapa do México


O México (de nome oficial Estados Unidos Mexicanos) é um país localizado na América do Norte delimitado ao norte pelos Estados Unidos da América, a leste pelo Golfo do México e pelo Mar do Caribe, através dos quais se aproxima de Cuba, a sul pela Guatemala e por Belize, e a oeste pelo Oceano Pacífico. Além do território continental e ilhas adjacentes à costa, o México inclui também as Ilhas Revillagigedo, localizadas no Oceano Pacífico, a mais de 400 km a sul do Cabo San Lucas, na Baja California Sur.

Índice

[editar] História

Ver artigo principal: História do México

Apesar de haver alguns indícios arqueológicos que sugerem a ocupação humana do México desde há mais de 20 000 anos, a primeira prova sólida desta ocupação tem origem em dois locais de caça no norte da Bacia do México. Segundo as evidências encontradas, estes caçadores-recolectores alimentavam-se de mamutes e outros animais. Os antigos mexicanos começaram a cultura selectiva de plantas de milho cerca de 8 000 a.C. Há evidências de uma explosão na quantidade de trabalhos em cerâmica cerca de 2300 a.C. e do início da agricultura intensiva entre 1800 e 1500 a.C.

[editar] Civilizações pré-colombianas

[[Ficheiro:Chichen-Itza-Castillo-Seen-From-East.JPG|left|200px|thumb|"O Castelo" em Chichén Itzá.]] Entre 1800 a.C. e 300 a.C., começaram a formar-se culturas complexas. Algumas evoluíram para avançadas civilizações mesoamericanas pré-colombianas tais como: olmeca, teotihuacan, maia, zapoteca, mixteca, huasteca, purepecha, tolteca, e mexica (ou asteca), as quais floresceram durante cerca de 4000 anos até ao primeiro contacto com Europeus.

Atribuem-se a estas civilizações indígenas várias criações e invenções: templos-pirâmide, cidades, a matemática (sendo o primeiro povo do mundo a usar o zero), astronomia, medicina, escrita, calendários precisos, belas artes, agricultura intensiva, engenharia, um ábaco, teologia complexa, o chocolate e a roda.

Inscrições antigas em rochas e paredes rochosas por todo o norte do México (especialmente no estado de Nuevo León) demonstram desde muito cedo uma propensão para contar no México. Estas marcas de contagem muito antigas estavam associadas a acontecimentos astronómicos e sublinham a influência que as actividades astronómicas tinham sobre os nativos mexicanos, mesmo antes do desenvolvimento de civilizações. De facto, todas as civilizações mexicanas mais tardias construiriam cuidadosamente as suas cidades e centros cerimoniais de acordo com acontecimentos astronómicos específicos.

[[Ficheiro:Mexico SunMoonPyramid.jpg|thumb|200px|left|Teotihuacan, vista da via de entrada dos mortos a partir da pirâmide da Lua.]]

Em alturas diferentes, houve três cidades mexicanas que eventualmente se tornaram nas maiores cidades do mundo: Teotihuacan, Tenochtitlan e Cholula. Estas cidades – entre várias outras - foram centros florescentes de comércio, idéias, cerimônias e teologia. Por outro lado, espalharam a sua influência a culturas vizinhas.

Ainda que muitas cidades-estado, reinos e impérios competiram uns com os outros por poder e prestígio, pode-se dizer que o México teve quatro civilizações principais e unificadoras: a olmeca, teotihuacan, a tolteca e a mexica. Estas quatro civilizações estenderam a sua influência por todo o México – e para além deste - como nenhuma outra. Consolidaram poder e influenciaram o comércio, arte, política, tecnologia e teologia. Outras potências regionais fizeram alianças políticas e económicas com estas quatro civilizações ao longo de 4000 anos. Muitas foram as que entraram em guerra com elas. Mas todas elas se viram dentro destas quatro esferas de influência.

[editar] Conquista espanhola

Em 1519, as civilizações nativas do México foram invadidas pela Espanha, e dois anos mais tarde em 1521, a capital dos astecas, Tenochtitlan, foi conquistada por uma aliança entre espanhóis e tlaxcaltecas (os inimigos principais dos astecas). Francisco Hernández de Córdoba, descobridor do Iucatão, explorou as costa do sul do México em 1517, seguido por Juan de Grijalva em 1518. O mais importante dos conquistadores foi Hernán Cortés, que entrou no país em 1519, a partir de uma vila nativa costeira que ele rebaptizou de Puerto de la Villa Rica de Vera Cruz (hoje a cidade de Veracruz).

[[Ficheiro:Cortes-Hernando-LOC.jpg|left|thumb|Hernán Cortés, conquistador do México]]

Contrariamente ao que geralmente se pensa, a Espanha não conquistou a totalidade do México em 1521 e passariam ainda dois séculos antes que tal sucedesse, havendo durante esse período rebeliões, ataques e guerras continuadas por parte de outros povos nativos contra os espanhóis.

Os astecas, a potência dominante no país, acreditavam (de acordo com mitos antigos) na tradição do regresso de Quetzalcóatl num ano Ce-Acatl. O calendário Pré-Colombiano era dividido em ciclos ou períodos de 52 anos. Cada 52º ano era um ano Ce-Acatl sendo 1519 um desses anos. Os astecas acreditavam que os conquistadores espanhóis eram enviados dos deuses (de acordo com os estudiosos ortodoxos), tendo oferecido pouca resistência aos seus avanços. (Ironicamente, Cortés não menciona este episódio nas suas cartas ao Rei Carlos V de Espanha.)

Os estudiosos modernos começam a questionar esta forma de interpretar o que se passou. Reputados estudiosos dos astecas, como Ross Hassig da Universidade de Oklahoma, demonstraram que Quetzalcóatl era na realidade uma ordem religiosa de sacerdotes durante a anterior era tolteca. Esta ordem, sob tutela do seu líder Ce Acatl Topiltzin Quetzalcoatl é famosa pelo seu exílio na zona oriental do México (no que é hoje o Iucatão). Os astecas poderão ter pensado que os espanhóis eram possivelmente da linhagem da Ordem de Quetzalcoatl e como tal merecedores tratamento diplomático.

[[Ficheiro:Battle Spanish Otomies Metztitlan.jpg|thumb|Site de Tenochtitlan, de acordo com as telas de Tlaxcala.]]

Para aumentar ainda mais a confusão sobre este assunto, existe o facto de a língua náuatle dos astecas estar repleta de termos para humildade e polidez, especialmente para convidados. Os embaixadores estrangeiros eram sempre tratados com reverência e convidados para a capital Tenochtitlan, onde experimentavam todos os aspectos da alta diplomacia esperada entre nações. Acabariam por se opor aos espanhóis, depois de se ter tornado evidente que estes não pertenciam à linhagem dos sacerdotes de Quetzalcóatl e que tão pouco eram deuses.

Após uma importante batalha em 1519, na qual as forças espanholas foram derrotadas e obrigadas a bater em retirada, os espanhóis reagruparam-se fora do Vale do México. Passados oito meses estavam de regresso, tendo ao seu lado um contingente ainda maior de nativos seus aliados. Por esta altura a varíola, trazida pelos espanhóis, havia dizimado a população asteca, reduzindo drasticamente a capacidade de combate das forças astecas. A capital Tenochtitlan foi sitiada, tendo este facto conduzido à derrota total dos astecas em 1521. Apesar das suas armas de metal, cavalos, canhões e milhares aliados indígenas, os espanhóis levaram sete meses inteiros para conseguir a capitulação dos astecas. Tratou-se de um dos mais longos cercos continuados da história mundial.

Foram três os principais factores contribuintes para a vitória espanhola. Em primeiro lugar, os espanhóis possuíam tecnologia militar superior, incluindo armas de fogo, bestas, armas de ferro e aço e cavalos. Outros aliados dos espanhóis foram as várias doenças do Velho Mundo que haviam levado com eles (principalmente a varíola), para as quais os nativos não tinham qualquer imunidade e que acabariam por tornar-se pandémicas, dizimando uma grande parte da população nativa. Por último, os espanhóis conseguiram fazer seus aliados vários povos sob o domínio do Império Asteca que viam os espanhóis como o meio de se libertarem do poder asteca, destacando-se de entre eles os tlaxcaltecas.

[editar] Vice-reino da Nova Espanha

[[Ficheiro:Puerto de Acapulco Boot 1628.png|thumb|left|250px|Acapulco, 1628.]] Após a queda de Tenochtitlan, o governo ficou nas mãos Hernán Cortés, autonomeado capitão-general do que passou a designar-se Nova Espanha. Logo foi estabelecida a Real Audiencia de México, dependente da Coroa Espanhola com o objetivo de se conseguir uma melhor administração. O vice-reino foi criado em 1535, e o primeiro vice-rei foi Antonio de Mendoza.

A base da economia da Nova Espanha era a mineração. Apesar da produção mineira do vice-reino do Peru ser elevada, a descoberta de novas jazidas desde Sonora até ao sul dos Estados Unidos, permitiu que a Nova Espanha gradualmente tomasse o lugar de destaque. A mineração permitiu o desenvolvimento de outras actividades conexas, especialmente aquelas relativas a manufaturas e agricultura, que transformaram as regiões do Bajío e vales do México e Puebla, em regiões agrícolas prósperas e com atividade industrial emergente.

O comércio do vice-reino era feito através de dois portos: Veracruz (Golfo do México) e Acapulco (Pacífico). A este último chegava o Galeão de Manila que transportava mercadorias das Filipinas para a Nova Espanha e, dali, transportadas por via terrestre, chegavam a Puebla, onde a influência oriental é evidente, no seu artesanato e tradições tais como a da "china poblana", ao que é hoje a a Cidade do México e a Veracruz, donde eram enviadas para a Espanha ou aos portos do Atlântico. O comércio contribuiu para o florescimento desses portos, da Cidade do México e das regiões intermédias. Note-se que até ao final de século XVIII, com a introdução das reformas borbónicas, as trocas comerciais entre os vice-reinos espanhois não eram permitidas.

A sociedade da Nova Espanha professava maioritariamente a religião católica. A Santa Inquisição - que zelava pela extinção de idolatrias e canibalismo - tinha os seus ofícios instalados no território. O território da Nova Espanha era suficientemente grande para que nele existisse um grande número de povos indígenas e uma diversidade de línguas, sem excluir os europeus. Durante os trezentos anos da Nova Espanha existiram várias leis que afetaram o comércio e a prosperidade dos seus habitantes. De um modo geral, a sua prosperidade era a mais alta das Américas, especialmente para os moradores dos municípios de México, Puebla de Los Angeles, Villa Rica de la Veracruz, Acapulco e Zacatecas, no entanto, algumas regiões sofriaam grandes dificuldades, como os californianos pela falta de vestuário europeizado, tendo, no entanto, gado e cereais suficientes para a sua subsistência.

Apesar de, em geral, ter sido proposta uma política de integração, a realidade política que impunha a concessão de posições importantes à burocracia espanhola (sobretudo desde a chegada dos Bourbons, que defendiam o modelo francês de colonização, contra os quais crioulos ou filhos de espanhóis nascidos no México começaram a ressentir-se). Adicionalmente à pobreza que enfrentava a maior parte da população indígena e mestiça foram criadas divisões tão graves como as castas de Yucatán. Durante o período do vice-reino surgiram muitas das tradições e instituições que evoluíram, de acordo com o caráter do povo mexicano, para muitas das características dos mexicanos de hoje.

[editar] Guerra da independência mexicana

A luta pela independência começou em 16 de Setembro de 1810, liderada por Miguel Hidalgo, um padre de ascendência espanhola (ver Grito de Dolores). Após a invasão da Espanha por Napoleão I e a colocação do irmão deste no trono espanhol, os conservadores mexicanos e os ricos proprietários, apoiantes da família real espanhola da Casa de Bourbon mostraram-se contrários às políticas napoleónicas comparativamente mais liberais . Assim nasceu no México uma aliança à primeira vista improvável: dum lado os liberales, ou liberais, que defendiam um México democrático; do outro os conservadores que pretendiam um México governado por um monarca de Bourbon, que restaurasse o anterior status quo. As duas partes acabaram por concordar que o México deveria tornar-se independente e decidir o seu próprio destino.

As figuras mais proeminentes da guerra da independência do México foram o padre José Maria Morelos y Pavón, Vicente Guerrero e o general Agustín de Iturbide. A guerra prolongar-se-ia por onze anos até à entrada do exército de libertação na Cidade do México em 1821. Assim, ainda que proclamada em 1810, a independência só foi conseguida em 1821, com a assinatura do Tratado de Córdoba, que ratificava o Plano de Iguala, no dia 24 de Agosto de 1821, em Córdoba. Foram signatários deste tratado o vice-rei espanhol Juan O'Donojú e Agustín de Iturbide.

Em 1821 Agustín de Iturbide, um antigo general espanhol que havia passado para o lado das tropas independentistas, autoproclamou-se imperador (oficialmente tratava-se de uma medida temporária, até que se conseguisse persuadir um membro da realeza europeia a tornar-se monarca do México – ver Império Mexicano para mais informação). Uma rebelião contra Iturbide em 1823 levou à criação dos Estados Unidos Mexicanos. Em 1824 Guadalupe Victoria tornou-se o primeiro presidente do novo país; o seu nome de baptismo era Félix Fernandez tendo escolhido o seu novo nome por motivos simbólicos: Guadalupe como agradecimento pela protecção da Nossa Senhora de Guadalupe, e Victoria pela vitória obtida.

[editar] Século XIX

thumb|right|250px|Porfirio Diaz

Sem ser encontrado um candidato à Coroa do México, foi instalada uma Junta de Governo Provisória. Em 1822, Agustín de Iturbide proclamou-se Imperador do México. Faziam parte do território mexicano os vice-reinos de Nova Espanha e a Capitania Geral de Guatemala. O Primeiro Império Mexicano durou poucos meses. Envolto em crises dado os prejuízos financeiros causados por onze anos da Guerra da Independência e dos enfrentamentos com os republicanos. Em 1823, Antonio López de Santa Anna proclamou o Plano de Casamata, que não reconhecia o governo de Iturbide e instalava a República. Derrotado, o imperador foi para o exílio.

Depois de um pequeno intervalo e de outra Junta Provisória, em 1824 o Congresso Constituinte proclamou a Constituição Federal dos Estados Unidos Mexicanos. O México passava a ter um governo central com divisão de poderes. O Congresso convocou eleições e o vencedor foi Guadalupe Victoria, para o período de 1824-1828. Depois desse mandato, os desequilíbrios voltaram com os enfrentamentos da antiga aristocracia e os pequenos grupos de liberais. Nessa instabilidade, Antonio López de Santa Anna assumiria o poder por onze vezes: cinco com os liberais e seis vezes com os conservadores.

Em 1833 houve a primeira reforma liberal do Estado, liderada por Valentín Gómez Farías (que estava como presidente interino enquanto Santa Anna se retirara para sua fazenda) e José María Luis Mora. Foi instalada uma República Centralista. Em 1835 promulgaram-se As Sete Leis, nome da Constituição cuja vigência levou à declaração de independência de Zacatecas e Texas, este último pertencente ao estado de Coahuila e Texas e que se separaria do México em 1836. Em 1841 a República de Yucatán declarou sua independência, não se reincorporando ao México até 1848.

O desastre da primeira república levou ao reestabelecimento da Constituição de 1824, mas em 6 de janeiro de 1843 foi proclamada a Segunda República Centralista, com Santa Anna à frente. Incapaz de enfrentar a invasão dos americanos, o governo central foi substituído novamente por um governo federal, iniciado em 22 de agosto de 1846. Nessa época, o México estava em Guerra contra os Estados Unidos da América, que anexou a República do Texas em 1841 e em 1846 reclamou a possessão da faixa entre o Rio Bravo (Rio Grande) e Nueces. A ocupação americana durou de 1847 até 1848 e foi concluída com a assinatura do Tratado de Guadalupe-Hidalgo, que levou à perda de mais da metade do território mexicano.

Os primeiros anos depois do conflito com os americanos foram de certa tranquilidade, mas novos atritos entre liberais e conservadores fariam com que Santa Anna voltasse ao poder (1853-1855). Santa Anna nomeou-se Ditador de México e governou com o título de Sua Alteza Sereníssima por lei constitucional. O país estava arruinado e o governo era afligido pela corrupção. Em 1854 os liberais pegaram em armas, amparados pelo Plano de Ayutla, liderados por Juan Álvarez e Ignacio Comonfort. A Revolução de Ayutla derrubou Santa Anna e colocou interinamente Álvarez no poder. Seu sucessor, Comonfort, promulgou várias leis liberais (Leis da Reforma) que estabeleceram a separação entre o Estado e a Igreja Católica e anulou os privilégios da corporações. Seguidores do Plano de Tacubaya não reconheceram o governo de Comonfort e nomearam um presidente provisório, o que fez que estourasse a chamada Guerra da Reforma (ou Guerra dos Três Anos), pois em seu transcurso foram promulgadas Leis de Reforma.

Com a renúncia de Comonfort, Benito Juárez ocupou a presidência interina da República em 15 de janeiro de 1858. Convocou uma nova constituinte que promulgou uma nova constituição Mexicana, de inspiração liberal. A Guerra da Reforma terminou com a vitória dos liberais em janeiro de 1861. Nesse mesmo ano o governo interrompeu os pagamentos da dívida externa. A França, um dos principais credores, forçou a Espanha e a Inglaterra a pressionarem militarmente o governo mexicano. A marinha dos aliados chegou a Veracruz em fevereiro de 1862. O governo passou a negociar pela via diplomática e conseguiu a retirada dos espanhóis e dos ingleses.

Os franceses, contudo, iniciaram as hostilidades militares com o desembarque de tropas em Veracruz. O primeiro confronto foi na batalha de Puebla, vencida pelo exército de Ignacio Zaragoza e as milícias populares. A capital, todavia, foi ocupada pelos franceses em junho de 1863. O governo republicano foi perseguido pelos estrangeiros até se estabelecer em Paso del Norte. Em 10 de julho a Assembleia de Notáveis reunida na capital nomeou como imperador Maximiliano de Habsburgo. OSegundo Império Mexicano durou até 1867, terminando com a derrota dos franceses e a rendição dos conservadores e o fuzilamento do imperador em Santiago de Querétaro.

Juárez ficou no poder até sua morte em 18 de julho de 1872. Os últimos anos de governo foram duramente criticados pelas diversas facções em que se haviam divididos os liberais. Alguns não aceitavam que um governo democrático durasse 14 anos. A morte de Juárez levou a presidência a ser ocupada por Sebastián Lerdo de Tejada, que transformou em leis constitucionais as leis radicais da reforma, promulgadas entre 1855 e 1856. Lerdo tentou reeleger-se, mas os porfiristas pegaram em armas e o derrotaram. Porfirio Díaz ocupou a presidência em 1876.

Foi iniciado o período da história do México conhecido como Porfiriato. Nessa período as Leis da Reforma (em especial, a Lei Lerdo) serviram de marco para favorecer a concentração de terras. Os camponeses foram recrutados para trabalhar nas fazendas (haciendas) e alguns grupos indígenas se mostraram particularmente rebeldes, como os iáquis e os maias, que foram expulsos de seus lugares de origem e obrigados a trabalhar até a morte em lugares como o Vale Nacional.

O governo de Díaz privilegiava a especulação estrangeira. A maior parte do capital investido no México era francês, seguido dos ingleses, americanos, alemães e espanhóis. Quando Díaz disse que o México estava pronto para a democracia em uma entrevista, algumas pessoas se apressaram a preparar as eleições de 1910. Francisco I. Madero, o provável ganhador do pleito, foi aprisionado em São Luís Potosí. Díaz foi eleito junto com Ramón Corral, e a disputa sobre a legitimidade deste eleição levou ao estalar da Revolução Mexicana.

[editar] A Revolução Mexicana

[[Ficheiro:Fuerzas surianas a las ordenes de Emiliano Zapata.jpg|thumb|left|250px|Zapatistas durante a Revolução Mexicana.]] Em 1910, Díaz, então com 80 anos de idade, decidiu convocar eleições com vista à sua reeleição como presidente. Pensava ter há muito eliminado qualquer oposição capaz de lhe fazer frente no México; contudo, Francisco Madero, um académico oriundo de uma família rica, decidiu concorrer contra ele tendo obtido rapidamente o apoio popular apesar de Díaz ter ordenado a sua prisão.

Quando os resultados oficiais da eleição foram anunciados, Díaz foi declarado vencedor quase unanimemente, com Madero a receber apenas algumas centenas de votos em todo o país. Esta fraude cometida pelo Porfiriato era demasiado gritante para ser ignorada pelo povo. Madero procedeu então à elaboração de um documento, conhecido como Plano de San Luis Potosí, no qual incitava o povo mexicano a pegar em armas contra o governo de Porfírio Díaz em 20 de Novembro, de 1910.

Assim teve início o que ficou conhecido como Revolução Mexicana. Madero foi detido em San Antonio, Texas, mas o seu plano surtiu efeito apesar de ele se encontrar preso. O exército federal foi derrotado pelas forças revolucionárias comandadas por, entre outros, Emiliano Zapata no sul, Pancho Villa e Pascual Orozco no norte e Venustiano Carranza. Porfírio Díaz renunciaria ao cargo de presidente em 1911 em prol da paz nacional, tendo-se exilado na França, onde morreria em 1915.

Os líderes revolucionários tinham muitos objectivos diferentes; as figuras revolucionárias iam de liberais como Madero a radicais como Emiliano Zapata e Pancho Villa. Como consequência, provou ser muito difícil conseguir um acordo sobre a organização de um governo emanado dos grupos revolucionários vitoriosos. O resultado foi uma luta pelo controlo do governo mexicano, um conflito que se estendeu por mais de vinte anos. Este período de luta é geralmente considerado parte da Revolução Mexicana embora possa também ser visto como uma guerra civil. Durante este período seriam assassinados, entre muitos outros, os presidentes Francisco I. Madero (1911), Venustiano Carranza (1920), bem como os líderes revolucionários Emiliano Zapata (1919) e Pancho Villa (1923).

À resignação de Díaz sucedeu-se um breve interlúdio reaccionário, com a eleição de Madero como presidente em 1911. Foi deposto e morto em 1913 por Victoriano Huerta. Venustiano Carranza, um antigo general revolucionário que se tornou um dos vários presidentes neste período conturbado, promulgou uma nova constituição em 5 de Fevereiro de 1917. A Constituição Mexicana de 1917 ainda hoje rege o México.

Álvaro Obregón torna-se presidente em 1921. Agradava a todos os grupos da sociedade mexicana, com excepção das franjas mais reaccionárias do clero e dos grandes proprietários, tendo sido bem sucedido na catalisação da liberalização social, em particular reduzindo o papel da Igreja Católica, melhorando a educação e tomando medidas visando a instituição dos direitos civis das mulheres.

Ainda que a Revolução Mexicana e a guerra civil estivessem terminadas depois de 1920, os conflitos armados continuaram. O conflito mais abrangente desta época foi a luta entre os que queriam uma sociedade secular com separação entre Igreja e Estado e, por outro lado, os que defendiam a supremacia da Igreja Católica e que acabaria por resultar num levantamento armado por parte de apoiantes da Igreja, no que se chama a Guerra Cristera.

[editar] Estabilização e revolução institucionalizadas

O Partido Nacional Mexicano, ou PNM, foi formado, em 1929, pelo então presidente general Plutarco Elías Calles. Este partido tornar-se-ia mais tarde o Partido Revolucionário Institucional ou PRI, que governou o país durante o que restava do século XX. O PNM foi bem sucedido na tentativa de convencer a maioria dos generais revolucionários que ainda restavam a desmobilizar os seus exércitos pessoais que passaram a integrar o recém-criado Exército Mexicano. A fundação do PRI é considerada por alguns como o verdadeiro fim da Revolução Mexicana.

Em 1934 chega ao poder o presidente Lázaro Cárdenas, transformando o México: em 1 de Abril de 1936 enviou Calles, o último general com ambições ditatoriais, para o exílio; conseguiu ainda unir as diferentes facções dentro do PRI, estabelecendo as regras que permitiriam ao seu partido governar sozinho durante décadas, sem perturbações internas. No dia 18 de Março de 1938, procedeu à nacionalização das indústrias petrolíferas e eléctricas; criou o Instituto Politécnico Nacional, concedeu asilo aos refugiados da Guerra Civil de Espanha, iniciou a reforma agrária, a distribuição gratuita de livros escolares e, em geral, prosseguiu políticas que, para o bem e para o mal, marcaram o desenvolvimento do México até aos nossos dias.

Manuel Ávila Camacho, o sucessor de Cárdenas, foi presidente durante um período de transição entre a era revolucionária e a era da política de aparelho sob o domínio do PRI que duraria até ao ano 2000. Afastando-se da autarquia nacionalista, propôs-se criar um clima favorável ao investimento estrangeiro favorecido, havia duas gerações, por Madero. O regime de Camacho congelou os salários, reprimiu as greves e perseguiu os dissedentes com base numa lei que proibia o crime de dissolução social. Assim, o PRI traía a herança da reforma agrária. Miguel Alemán Valdés, o sucessor de Camacho, chegaria mesmo a emendar o Artigo 27º da Constituição Mexicana de forma a proteger a elite dos proprietários.

Apesar de os regimes do PRI terem conseguido crescimento económico e uma prosperidade relativa durante quase três décadas após a Segunda Guerra Mundial, a economia sofreu vários colapsos e a agitação política aumentou no final dos anos 1960, culminando no massacre de Tlatelolco, em 1968. Duas crises económicas ocorreram em 1976 e 1982, após o que se procedeu à nacionalização da banca, considerada culpada dos problemas económicos, num período que ficou conhecido como a Década Perdida. Nestas duas crises o peso mexicano foi desvalorizado e, até ao ano 2000, era normal ocorrer a desvalorização da moeda e um período de recessão no final de cada mandato presidencial, ou seja, de seis em seis anos. A crise de Dezembro de 1994, iniciada por uma desvalorização do peso mexicano, atirou o México para o caos económico, despoletando a mais grave recessão económica do país em mais de meio século.

No dia 19 de Setembro de 1985, um terramoto de aproximadamente grau 8 na escala de Richter e epicentro ao largo da costa de Michoacán causou grandes danos na Cidade do México. As estimativas para o número de mortos variam de 6500 a 30000. (Ver Terramoto da Cidade do México de 1985.

[editar] Geografia

Ver artigo principal: Geografia do México

thumb|230px|Mapa físico do México, onde se nota alguns acidentes geológicos e regiões notáveis do país. Localizado na parte sudoeste do continente norte-americano e de forma aproximadamente triangular, o México estende-se por mais de 3000 km de noroeste a sudeste. A sua largura varia entre mais de 2000 km no norte e menos de 220 km no istmo de Tehuantepec, no sul. O México tem litorais em duas grandes massas de água: o oceano Pacífico (com o golfo da Califórnia entre o continente e a península da Baixa Califórnia) a ocidente e, a oriente, o golfo do México e o mar das Caraíbas, que conduzem ao oceano Atlântico. Nos litorais encontram-se planícies costeiras, ao passo que o México central consiste de planaltos elevados e montanhas escarpadas, incluindo vulcões, o mais elevado dos quais é o Pico de Orizaba, com 5610 m de altitude.

O terreno e o clima variam dos desertos do norte à floresta húmida tropical no sul. Os principais rios mexicanos são o Lerma, Río Bravo del Norte (também conhecido como Rio Grande), o Grijalva, o Balsas e o Yaqui

[editar] Demografia

Ver artigo principal: Demografia do México

O México é o mais populoso país de língua espanhola do mundo e o segundo mais populoso país da América Latina, depois do Brasil. Cerca de 60% da população é de etnicidade mestiça (os mestizos), 15% são ameríndios e 25% de origem europeia.

O país é predominantemente católico romano (89%), com 6% de adesão a várias fés protestantes e os restantes 5% ou a aderir a religiões mais pequenas ou sem religião.

[editar] Política

Ver artigo principal: Política do México

[[Ficheiro:MexCity-palacio.jpg|thumb|left|250px|Palácio Nacional do México, sede do poder legislativo do país.]] A constituição mexicana de 1917 criou uma república federal presidencialista com separação de poderes entre ramos executivo, legislativo e judicial. Historicamente, o executivo é o ramo dominante, com o poder investido no presidente, que promulga e executa as leis emanadas do parlamento, o congresso federal, ou Congreso de la Unión.

O Congresso tem vindo a desempenhar um papel de importância crescente desde 1997, quando os partidos da oposição pela primeira vez conquistaram ganhos importantes. O presidente também legisla por decreto executivo em certos campos económicos e financeiros, usando poderes delegados pelo Congresso. O presidente é eleito por sufrágio universal para mandatos de 6 anos e não pode voltar a exercer o cargo. Não existe vice-presidente; no caso de demissão ou de morte do presidente, um presidente provisório é eleito pelo Congresso.

O Congresso Nacional é bicameral e composto por um Senado (Cámara de Senadores) e uma Câmara de Deputados (Cámara de Diputados). A reeleição consecutiva é proibida. Os senadores são eleitos para mandatos de 6 anos, e os deputados servem durante 3 anos. Os ocupantes dos 128 lugares do Senado são escolhidos através de uma mistura de eleição directa e de representação proporcional. Na Câmara (baixa) dos Deputados, 300 dos 500 deputados são eleitos directamente em círculos uninominais, e os restantes 200 lugares são eleitos através de uma forma modificada de representação proporcional com base em cinco regiões eleitorais. Estes 200 lugares foram criados para ajudar os partidos mais pequenos a ter acesso ao parlamento.

[editar] Economia

Ver artigo principal: Economia do México

[[Ficheiro:Santa feconj.jpg|thumb|250px|Santa Fé, um dos centros financeiros da Cidade do México.]] O México possui uma das maiores economias da América Latina e a 12ª maior economia mundial (quando utilizando PIB PPC), possuindo um PNB de US$1.346,009 bilhões. [2]

A economia do México baseia-se no comércio, na indústria, na agricultura e na exploração mineral. As culturas dominantes são a cana-de-açúcar, o milho, o trigo, o sorgo, a laranja, a banana, a manga, o abacate, o feijão, o tomate, o limão, o melão, a batata, a cevada, o café, a soja, o arroz, o ananás, o morango, o algodão e a noz. A expansão da agricultura e a criação de gado (30 milhões de cabeças de gado bovino) tiveram um enorme impacto sobre as áreas de floresta que, no período de 1981-90, desapareceram à razão de 6,8% em cada ano.

A indústria extractiva engloba o petróleo, o ferro, o zinco, o cobre, o chumbo, o manganésio, o mercúrio, a prata, o ouro, o sal, a gipsita, o enxofre e a barite. Os produtos industriais são o equipamento para os transportes, os produtos alimentares, as bebidas, o tabaco, os produtos químicos, os produtos metálicos, os produtos minerais, os derivados do papel e os têxteis. Os principais parceiros comerciais do México são os EUA, a Espanha, a Alemanha, o Canadá, o Japão e o Brasil.

Por constituir o NAFTA (acordo de livre comércio da América do Norte) sua produção industrial é voltada para o mercado dos EUA. As principais regiões industriais estão no centro-sul. Em Monterrey a indústria siderúrgica e montadoras de automóveis se destacam. Já ao norte, fronteira com os EUA, foram instaladas INDÚSTRIAS MAQUILADORAS, de montagem de equipamentos eletrónicos, que usam mão-de-obra mexicana barata, para reduzir custos de produção e manter a competividade de seus produtos no mercado mundial.

[editar] Infra-estrutura

[editar] Educação

Ver artigo principal: Educação no México

[[Ficheiro:ITESM-Biotechnology-Center.jpg|thumb|left|Centro de Biotecnologia do ITESM.]] Em 2004, o índice de alfabetização era de 97%[4] para jovens com menos de 14 anos, e 91% para as pessoas acima de 15,[5] colocando o México em 24º lugar no ranking mundial de acordo com a UNESCO.[6] A educação primária e secundária é gratuita e compulsória, durando 9 anos. Mesmo que diferentes programas de educação bilingue existam desde a década de 1960 para as comunidades indígenas, depois da reforma constitucional no final da década de 1990 esses programas receberam um novo incentivo, e textos e livros gratuitos são produzidos em mais de uma dúzia de línguas indígenas.

Na década de 1970, o México estabeleceu um sistema de "ensino a distância" através de comunicações de satélite para atingir pequenas comunidades rurais e indígenas inacessíveis por outros meios. Escolas que usam esse sistema são conhecidas no México como telesecundarias. O ensino a distância da educação secundária no México também é transmitido para alguns países da América Central e para a Colômbia, e é usado em algumas regiões do sul dos Estados Unidos como um método de educação bilingue. Há aproximadamente 30 000 telesecundarias e aproximadamente um milhão de estudantes de telesecundaria no país.[7]


[editar] Saúde

Ver artigo principal: Saúde no México

Desde o início da década de 1990, o México entrou em um estágio de transição em relação a saúde de sua população e alguns indicadores, como os índice de mortalidade, estão similares a aqueles encontrados nos países desenvolvidos.[8] Apesar de todos os mexicanos poderem receber tratamento médico pelo estado, 50,3 milhões de mexicanos não possuíam plano de saúde em 2002.[9] Tem sido feito esforços para aumentar esse número de pessoas, e a atual administração pretende completar um sistema de saúde universal até 2011.[10][11]

A infraestrutura médica do México é muito boa na maior parte e pode ser excelente nas principais cidades,[12][13] mas nas áreas rurais e comunidade indígenas a cobertura médica é pobre, forçando-os a viajar para a área urbana mais próxima para receber tratamento médico especializado.[14]

Instituições do estado, como o Instituto Mexicano do Seguro Social (IMSS) e o Instituto da Segurança e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado (ISSSTE) são as que mais contribuem para a saúde e segurança social. Serviços de saúde privados também são muito importantes e respondem por 13% de todas as unidades médicas do país.[15]

O custo do tratamento de saúde nas instituições privadas e a prescrição de remédios no Méximo está um pouco mais barato que a média de seus parceiros de economia da América do Norte.[16]

[editar] Cultura

Ver artigo principal: Cultura do México

[editar] Feriados

Feriados
Data Nome local Nome em português Observações
1 de janeiro Año Nuevo Ano Novo
5 de fevereiro Aniversario de la Constitución Mexicana Aniversario da Constituição Mexicana
30 de abril Dia del niño Dia das Crianças
1 de maio Día del Trabajo Dia do Trabalho
5 de maio Batalla de Puebla Batalha de Puebla
10 de maio Dia de las Madres Dia das Mães
16 de setembro Día de la Independencia Dia da Independência
12 de outubro Día de la Raza Dia da Raça
2 de novembro Día de Muertos Dia dos Mortos
20 de novembro Aniversario de la Revolución Mexicana Aniversário da Revolução Mexicana
12 de dezembro Nuestra Señora de Guadalupe Nossa Senhora de Guadalupe
25 de dezembro Navidad Natal

[editar] Referências

[editar] Ver também

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[editar] Ligações externas


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