Leonardo da Vinci

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Leonardo da Vinci
Leonardo da Vinci
Auto-retrato de Leonardo da Vinci
Nascimento 15 de Abril (Calendário Juliano) ou 25 de Abril (Calendário Gregoriano) de 1452
Anchiano, Itália
Falecimento 2 de Maio de 1519
Amboise, França
Nacionalidade Italiano
Ocupação Pintura, Escultura, Arquitetura, Engenharia e Ciência
Movimento literário Alto Renascimento
Principais trabalhos Mona Lisa
A Última Ceia
Homem Vitruviano
A Virgem das Rochas

Leonardo di ser Piero da Vinci (Anchiano, 15 de Abril (Calendário Juliano) ou 25 de Abril (Calendário Gregoriano) de 1452Cloux, Amboise, 2 de Maio de 1519) foi um pintor, arquitecto, engenheiro, cientista, músico e escultor do Renascimento italiano.

É considerado um dos maiores génios da história da Humanidade. Não tinha propriamente um apelido, sendo "di ser Piero" uma relação ao seu pai, "Messer Piero" (algo como D. Pedro), e "da Vinci", uma relação ao lugar de origem de sua família, significando "vindo de Vinci" .

Nascido num pequeno vilarejo próximo do município toscano de Vinci, Leonardo era filho ilegítimo de Piero da Vinci, um jovem notário e de Caterina.

A mãe de Leonardo era provavelmente uma camponesa, embora seja sugerido, com poucas evidências, que era uma escrava judia oriunda do Oriente Médio comprada por Piero. O próprio Leonardo da Vinci assinava seus trabalhos simplesmente como Leonardo ou Io Leonardo.

A maioria das autoridades refere-se aos seus trabalhos como Leonardos e não da Vincis. Presume-se que ele não usou o nome do pai por causa do estado ilegítimo.

Leonardo da Vinci é considerado por vários o maior génio da história, devido à multiplicidade dos seus talentos reclacionados com as ciências e as artes, a sua engenhosidade e criatividade, além das suas obras polémicas.

Num estudo realizado por Catherine Cox, em 1926, o seu QI foi estimado em cerca de 180. Outras fontes mencionam 220.

Índice

[editar] Biografia

Estátua de Leonardo da Vinci
Estátua de Leonardo da Vinci

Na adolescência, Leonardo foi fortemente influenciado por duas grandes personalidades da época, Lourenço de Médici e o grande artista Andrea del Verrocchio.

Leonardo viveu em plena Renascença, nos séculos XV e XVI, e expressa melhor do que qualquer outro o espírito daquele tempo. Ao contrário do homem medieval, que via em Deus a razão de todas as coisas, os renascentistas acreditavam no poder humano de julgar, de criar e construir. Por isso a Renascença também é conhecida como a época do Humanismo e se caracteriza por enormes progressos nas artes, nas leis e nas ciências.

As suas obras mais conhecidas são o fresco "A Última Ceia", pintado directamente na parede do refeitório da igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão, e o Retrato de Lisa del Giocondo, a La Gioconda (dita a Mona Lisa), que demorou três anos a terminar.

Prestando atenção, pode-se perceber em várias imagens um efeito característico da pintura de Leonardo: a delicada passagem de luz para a sombra, quando um tom mais claro mergulha noutro mais escuro, como dois belos acordes musicais. Esse procedimento tem o nome de sfumato (esfumado, em português).

Lourenço de Médici, um grande humanista e comunicador, inspirou Leonardo na parte da comunicação, fazendo com que começasse a fazer os seus quadros mais “parlanti”, com maior animação gestual, o que o levou a tornar-se mestre nesta arte. Em toda a sua obra pode notar-se a iconografia das figuras ou personagens dos seus quadros.

Em 1468, com 16 anos, Leonardo mudou-se para Florença, e iniciou a sua aprendizagem no atelier de Verrocchio. O artista, de grande prestígio na época, ensinou-lhe toda a base que mais tarde o levaria a tornar-se um grande pintor.

Leonardo também aprendeu escultura, arquitectura, óptica, perspectiva, música e até botânica.

Retrato de Mulher
Retrato de Mulher

Em 1472, com 20 anos, já era membro da guilda dos pintores florentinos (Corporação de São Lucas) e a sua carreira começou a tornar-se independente do mestre Verrocchio. As pessoas da corte faziam-lhe as suas encomendas directamente.

Em 1476, Leonardo da Vinci, juntamente com outros três alunos do atelier de Andrea del Verrocchio, foi acusados de sodomia. Segundo a acusação referente a Leonardo, teria ele tido relações homossexuais com um modelo de Florença muito popular, mas não apareceram provas concretas que confirmassem semelhante acusação; Leonardo foi absolvido de toda e qualquer acusação.

Em 1482, Leonardo da Vinci trabalhou para Ludovico Sforza, Duque de Milão e manteve o próprio atelier com aprendizes. Mas as setenta toneladas de bronze que tinham sido colocadas à disposição de Da Vinci para o Grande Cavalo foram gastas em armas pelo duque, numa tentativa de salvar Milão de ser subjugada pelo rei francês Carlos VIII em 1495.

Em 1498, Milão caiu sem batalha diante de Luís XII de França. Da Vinci ficou em Milão durante algum tempo. Mas os arqueiros franceses usaram os seu modelo de cavalo em barro, em tamanho natural, como alvo para treino e Leonardo partiu com o seu amigo Luca Pacioli para Mântua, mudando-se dois meses depois para Veneza; em finais de Abril de 1500 partiu novamente, desta vez para Florença .

Em Florença ficou ao serviço de César Bórgia (também chamado Duca Valentino e filho do Papa Alexandre VI) como arquitecto militar e engenheiro. Em 1506, voltou a Milão, então nas mãos de Maximiliano Sforza, depois de um exército de mercenários suíços expulsar os franceses.

Castelo de Clos Lucé, onde Leonardo viveu seus últimos anos de vida
Castelo de Clos Lucé, onde Leonardo viveu seus últimos anos de vida

De 1513 a 1516 viveu em Roma, onde os pintores Rafael e Michelangelo eram, na ocasião, muito requisitados; porém, Da Vinci não teve muito contacto com estes artistas.

Em 1515 Francisco I da França regressou a Milão. Da Vinci foi nomeado para fazer a peça central de um leão mecânico destinado às negociações de paz em Bolonha entre o Rei francês e o papa Leão X; nessa altura, Leonardo terá provavelmente conhecido o Rei.

Em 1516 ficou ao serviço de Francisco I como primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do Rei. Foi-lhe concedida uma pensaão generosa e o uso do Castelo Clos Lucé, próximo ao Castelo de Amboise, residência do Rei. Da Vinci e o Rei ficaram bons amigos.

Morreu em Cloux, França, e de acordo com o seu desejo, sessenta mendigos seguiram seu caixão. Leonardo da Vinci foi enterrado na capela de São Hubert no Castelo de Amboise.

[editar] Obra artística

Retrato de Leonardo da Vinci feito por um artista desconhecido
Retrato de Leonardo da Vinci feito por um artista desconhecido

Apesar do recente interesse e admiração por Leonardo como cientista, observador e inventor, durante mais de quatrocentos anos a fama do pintor apoiou-se na sua obra como artista, nos seus esboços e nas sua grandiosas pinturas, sendo identificado como o autor da obra-prima da pintura mais célebre jamais criada. O nome de Leonardo, devido grandemente à fama intemporal de Mona Lisa, goza do estatuto de ser um dos mais célebres da arte.

Esta pintura, em particular, é famosa pela variedade de qualidades cujos apreciadores, nomeadamente estudantes e outros artistas, imitam e reproduzem e entre críticos e connoisseurs a pintura é uma das mais discutidas. Disfruta do estatuto de ser a obra de arte mais reproduzida da História.

O que torna a obra de Leonardo única são as técnicas inovadoras que utilizou nas suas pinturas, a sua impressionante gradação de tom, a subtileza da composição do tema, o seu detalhado conhecimento anatómico, a luz, o pormenor físico da natureza (expresso na representação de plantas, entre outras coisas), o seu interesse na fisionomia e os seus incríveis e minuciosos registos da emoção, da expressividade e da gesticulação humanas.

Intelectual humanista, da Vinci nunca voltava ao passado; inovava simplesmente. Cada pintura conhecida sua, cronologicamente, regista mais inovações que tornam o motivo representado cada vez mais real e emotivo.

Todas estas subtis qualidades resultaram em trabalhos como Mona Lisa, A Última Ceia e A Virgem das Rochas.

Madona do Fuso (Cópia)
Madona do Fuso (Cópia)

A Última Ceia (L'ultima cena ou Cenacolo, em Milão) é uma das mais conhecidas pinturas atribuídas a da Vinci, exposta no refeitório Convento de Santa Maria delle Grazie (e tema central da obra O Código da Vinci de Dan Brown), em Milão, assim como a Mona Lisa (também conhecida como La Gioconda, exposta no museu do Louvre, em Paris).

Somente dezassete de suas pinturas, e nenhuma das esculturas levadas a cabo pelo artista italiano existem actualmente. Da Vinci planejou frequentemente pinturas grandiosas com muitos desenhos e esboços, deixando os projectos inacabados. Hoje esses esboços integram o espólio dos mais conceituados museus mundiais, e testemunham uma inteligência genial.

Da Vinci passou muitos anos planeando o modelo de uma monumental escultura de sete metros de um cavalo em bronze (o Gran Cavallo ou Grande Cavalo), para ser erguido em Milão. Por causa de guerra com a França, o projecto nunca foi concluído.

Baseado em iniciativa privada, uma estátua semelhante foi feita em Nova Iorque em 1999, posteriormente doada a Milão, sendo erguida no hipódromo de San Siro. O Museu da Caça em Limerick, na Irlanda tem um pequeno cavalo de bronze , possivelmente feito por um dos aprendizes de Leonardo, baseado nos esboços do original.

Anteriormente, em Florença, foi convidado a fazer um grande mural público, a Batalha de Anghiari. O seu rival, Michelangelo, pintaria a parede oposta. Depois de produzir uma variedade fantástica de estudos em preparação para o trabalho, ele deixou a cidade, com o mural inacabado devido a dificuldades técnicas.

[editar] Primeiros trabalhos

Entre os trabalhos iniciais de Leonardo encontra-se A Virgem de Granada (pintada em parceria com Lorenzo di Credi) e o O Batismo de Cristo (provavelmente pintado após a conclusão das Anunciações), pintado em parceria com Verrocchio. Na verdade foi este que pintou a maior parte da obra, sendo que Da Vinci só pintou um dos anjos da esquerda e parte da paisagem.

Deste tempo em que estudava e aprendia pintura no estúdio de Verrocchio, datam mais duas obras, todas elas retratando a A Anunciação. A primeira, uma obra pequena mas que antevia um génio plural, teve como base inspiradora Fra Angelico e Lorenzo di Credi, colega de atelier de Leonardo, ajudou a pintar uma base. O primeiro que bem conhecia o tema pois pintou-o várias vezes. A segunda é muito maior, com uma largura de 217 cm.

Nos anos em que Leonardo era somente um mero aprendiz, uma das suas fontes inspiradoras foram as pinturas de Fra Angelico, pautadas por um conhecimento rico da perspectiva e, ainda hoje, um dos mais célebres pintores italianos.

Em ambas as pinturas, de ambos autores, a Virgem Maria encontra-se sentada ou ajoelhada no parte direita do quadro e o Anjo, de perfil, ricamente trajado, na parte esquerda do quadro. Um detalhe importante e interessante da pintura é que o espaço que se situa entre a ponta da mesa e a margem do cipreste em segundo plano, formam algo como uma coluna invisível que separa o quadro em duas partes, a do Anjo e a de Maria.

Na pintura menor, Maria posiciona coloquialmente os seus olhos e as suas mãos num gesto que simboliza a submissão a Deus. Na segunda pintura, no entanto, Maria não figura como uma personagem submissa, e essa função acarreta-a o Anjo, este sim submisso a Maria. A própria figura de Maria é representada com uma certa de monumentalidade, pautada pela sua postura erecta.

Em bela jovem, interrompida na leitura pela inesperada mensagem, coloca o um dedo sobre o sítio onde lia e levanta a mão esquerda em saudação ao Anjo. Nessa pintura, a mais marcante dos primeiros anos do pintor, o jovem Leonardo apresenta a faceta humanista e inteligente da Virgem.

A Anunciação de Fra Angelico A Anunciação de Leonardo da Vinci.

Lorenzo di Credi, em 1478, pintou também uma imagem semelhante à Anunciação de Da Vinci, e muitos dos elementos utilizados por Leonardo são repetidos e alterados, mas, ao contrário da Maria da pintura de Leonardo, a de Lorenzo surge subserviente ao anjo, tal como na obra-prima de Fra Angelico. A sua postura de mulher provocadoramente culta e literada, que encontramos na obra de Leonardo, desaparece na obra de Lorenzo. À sombra da excelência da pintura de Leonardo da Vinci, Lorenzo di Credi seguiu os passos do seu colega numa constante perseguição visual e interpretativa das suas obras, embora as suas pinturas nunca tenham tido a qualidade das do primeiro, em todos os aspectos, incluido a temática.

Fora pintado também quase no mesmo período, o retrato de Ginevra de' Benci e, no final, dessa década Leonardo iniciou mais duas pinturas: Madonna del garofano (Madona do Cravo, na tradução para português) e a inacabada obra Madona Benois.

[editar] Pinturas da década de 1480

São Jerônimo no deserto
São Jerônimo no deserto

Na década de 1480 recebeu três importantes ecomendas e começou outro trabalho ainda, cujo tema abriu uma rotura em termos de composição. Infelizmente, dois desses três trabalhos nunca foram acabados e o terceiro levou tanto tempo a terminar que só foi assinado depois das negociações e do devido pagamento. Mesmo assim, não foi em vão, sendo que é hoje o terceiro mais conhecido trabalho de Da Vinci. Uma destas pinturas é São Jerónimo no deserto. No entanto, a obra é apenas um esboço num tema e numa composição pouco usuais na época. São Jerónimo, como penitente, ocupa com a sua figura o centro da pintura, sentado, visto na diagonal linear. Da Vinci serviu-se de um modelo de madeira e pano para conceber a figura do santo, como se fazia na altura. Para o poder pintar nesta posição, a cabeça de Leonardo colocava-se à mesma altura que o meio da tíbia do modelo, pintando-o na diagonal, mais ou menos desde a ponta da cauda do leão. A sua forma, com inclusão do braço direito e da cabeça, assemelha-se à de um trapézio, e o seu olhar está perfeitamente oposto ao do espectador e do próprio pintor; São Jerónimo olha, de forma subserviente, para algo fora da pintura. Em frente ao santo homem, um leão deitado cuja forma do corpo juntamente com a cauda formam duas espirais na base da pintura. Outro particular de interesse é a paisagem inacabada, no fundo da obra, de rochas e escarpas.

Outra composição um tanto quanto atrevida, os elementos paisagísticos e o drama pesoal ressoam na obra de arte inacabada: A Adoração dos Magos, encomenda dos monges de San Donato a Scopeto. É uma composição muito complexa sobre cerca de 250cm de largura e comprimento de uma placa de madeira. Para este trabalho o artista esboçou vários desenhos e numerosos trabalhos e estudos preparatórios, incluindo um detalhe de uma perspectiva linear das ruínas de um edifício clássico.


Mas em 1482, Leonardo foi convidado para trabalhar para a corte milanesa do poderoso Lorenzo de Medici, em tributo a Ludovico il Moro (Ludovico Sforza), e a pintura e todo o trabalho que havia tido foi abandonada.

O terceiro trabalho mais bem sucedido, surpreendentemente é uma das suas principais pinturas, foi encomendado em Milão por uma Confraria religiosa, intitulada Imaculada Concepção, para abrilhantar um altar de uma igreja, sustentada pela Confraria.

Madona das Rochas 1483-1486 A Virgem do Rochedo 1495-1508

Leonardo escolheu pintar um enfático momento da infância de Cristo quando o pequeno João Baptista, com a proteção de o anjo Uriel, conheceu a Sagrada Família numa rua do Egipto (Egito). Na cena João Baptista reconhece Jesus como sendo o Cristo, mesmo sendo os dois tão jovens. A posição da figura de João na composição é mais abaixo que a de Jesus. No entanto, em vez de Jesus conceder a bênção a João, é João quem a concede a Jesus. Algo que escandalizou os monges. A própria mão de Maria, posta sobre o ombro do pequeno Jesus, e outra sobre a cabeça de João, assemelha-se a garras. O detalhe mais atormentador da obra pode ser facilmente visualizado: a mão de Maria semelhante a uma garra de águia parece segurar uma cabeça invisível, que logo é cortada pela mão de Uriel, que aponta para Jesus. Existem duas versões oficiais e uma de que se discute a autoria. A primeira, maior, mas menos detalhada, chama-se Madona das Rochas. A segunda, é a verdadeira “obra prima”, com uma composição mais madura, e cuja manifestação do chiaroscuro esta em perfeita harmonia, chama-se A Virgem das Rochas (essa sim feita conforme a exigência da Confraria da Imaculada Conceição).

A Virgem das rochas ou do rochedo, relata a Virgem de joelhos com um manto azul parecendo ser feito de veludo; na sua frente está Jesus, no centro para ser adorado. Ao lado da Virgem Maria está João Batista com o estandarte da evangelização em Cristo; a Virgem parece empurrá-lo para junto de Jesus para ser abençoado por este. O anjo Uriel parece proteger a criança (Jesus), ao seu lado com uma das mãos nas suas costas e, outra repousando sobre seu próprio joelho. A Virgem, tanto aparenta abençoar seu filho, quanto receber a benção dele.

A paisagem escura parece estar se abrindo vagarosamente deixando a luz iluminá-la, parecendo trazer calor para um local aparentemente dominado pela umidade das águas. Existem plantas aquáticas e terrestres, ambas dominadas pelo “marrom da terra”, a não ser pelas flores, com cores que parecem transmitir a tranqüilidade em uma paisagem dominada por erosões. Apesar das avantajadas medidas, cerca de 200 por 120 cm (a segunda cerca de 190 por 120 cm), ambas as pinturas da “senhora nas pedras” não são tão complexas quanto a encomenda dos monges de São Donato, constando em cena somente quatro figuras - cuja forma conjunta completa uma pirâmide triangular - numa paisagem rochosa onde constam muitos detalhes arquitecturais. Eventualmente, a pintura foi acabada. De facto, duas versões desta pintura foram feitas, uma intregue a Confraria religiosa e a outra levada para a França pelo próprio Leonardo (onde provavelmente foi vendida para alguém da corte francesa). A que se encontra em exposição nas paredes do Museu do Louvre, em Paris, foi levada para a França pelo próprio Leonardo, quando este, a convite do rei, se instalou na mansão (ou castelo) de Clos Lucé, perto da residência majestosa de Amboise; a que faz parte da National Gallery de Londres, foi anteriormente propriedade de um rico burguês (a pintura fora roubada da Confraria séculos depois de ser concluída, pelas tropas de Napoleão, sendo depois de muitas décadas encontrada em uma pequena cidade da Áustria, antes de pertencer a este Burguês).

A suposta terceira versão de Madona das rochas, não é declarada ainda como pintura de Leonardo, devido à falta de fatos concretos. Segundo historiadores, não havia motivos históricos para que Leonardo, pinta-se pela terceira vez o mesmo tema, pois, a Confraria religiosa contentara-se com A Virgem das Rochas (segunda versão de Madona das Rochas), mas não se deve descartar tal hipótese.

Enquanto ainda pintava o quadro Madona das Rochas, precisamente em 1485, Leonardo iniciara a pintura Retrato de um Músico e no mesmo ano a conclui. Na verdade essa é talvez sua pintura menos detalhada, devido à falta de esmero da parte de Leonardo em relação a esta obra, o mais provável é que Leonardo não estava com “gosto” em pintar esse retrato (que é o único retrato masculino atribuído a este). O modelo provavelmente seria Franchino Gaffurio, músico e professor da Catedral de Milão.

[editar] Pinturas da década de 1490

No inicio dessa década, Leonardo estava em Milão. Havia terminado de pintar o retrato de Cecilia Gallerani (Dama com Arminho) quando começou então a pintar outro retrato na qual a modelo supostamente seria Isabella d'Este. Este retrato ficara somente pronto após cinco anos e foi intitulado como Retrato de Mulher ou La Belle Ferronnière. Existe uma provavel semelhança entre a modelo deste quadro e a de Mona Lisa.

Datam-se também no começo desse período mais duas obras, a pintura Madona Litta (que supostamente Leonardo teria pintado junto ao seu pupilo Giovanni Antonio Boltraffio) e, o importante desenho Homem Vitruviano, que representa as proporções clássicas do corpo humano de acordo com Marco Vitruvio Polião (daí “Vitruviano” devido a Vitruvio). Em meados da mesma década, Leonardo começa então a pintar o afresco A Última Ceia e a segunda versão de Madona das Rochas intitulada agora de A Virgem das Rochas que, fora concluída somente treze anos depois.

A maior e celebre pintura do período de 1490 é A Última Ceia, o tema fora pintado em Milão no refeitório do convento Santa Maria delle Grazie. A pintura representa a última ceia de Jesus com seus discípulos antes de sua captura e morte. Ela mostra especificamente, o momento em que Jesus comunicava aos seus discípulos qual deles que haveria de o trair.

O curioso dessa pintura é a presença da Astrologia, Leonardo teria pintado cada discípulo com uma atitude do Zodíaco e, Jesus sentado no centro representa o centro do universo, caracterizando as qualidades de todos os doze signos. Da direita para a esquerda os discípulos representam os seguintes signos:

O apóstolo Simão (o Zelote) representa Áries, Judas Tadeu Touro, Mateus Gêmeos, Filipe Câncer, Tiago (o Maior) Leão, Tomé Virgem, João Libra, Judas Escorpião, Pedro Sagitário, André Capricórnio, Tiago (o Menor) Aquário e Bartolomeu Peixes.

A técnica experimentada por Leonardo não foi muito bem sucedida (óleo, tempera e técnica mista sobre parede), e a pintura apresentou deteriorações antes de concluída.

[editar] Pinturas da Década de 1500

Mona Lisa (1503-1507)
Mona Lisa (1503-1507)

Nesse período devido à tomada de Milão Leonardo retorna a Florença, onde então inicia a pequena pintura Madona do Fuso (que infelizmente não existe mais, restando apenas cópias feitas por outros pintores), e este quadro, por sua vez, fica pronto em cerca de um ano. Logo após o termino da Madona do Fuso, Leonardo inicia sua mais celebre pintura, a Mona Lisa. A Mona lisa demonstrou o ótimo controle de Leonardo em relação as técnicas por ele criadas, a técnica sfumato (Esfumaçado) e o chiaroscuro (Claro e Escuro), mas o sfumato é a técnica principal dessa obra de Arte. Leonardo somente conseguiu concluir a sua celebre obra prima em cerca de 2 a 4 anos; fora pintado três versões antes da atual no mesmo painel, devido a esse excesso de tinta com o tempo surgiram muitas rachaduras que danificaram a pintura. Em cerca de dois a três anos após o termino da Mona Lisa Leonardo retorna a Milão.

  • Retorno a Milão (1506-1513)

Algum tempo após retornar a Milão (cerca de dois anos), Leonardo então conclui a sua obra prima A Virgem das Rochas, que é vendida para a Confraria da Imaculada Conceição, para ser posta no altar da igreja no lugar Madona das Rochas (que não foi bem aceita pela confraria devido a alguns detalhes segundo eles “terríveis”); e a pintura rejeitada, Leonardo anos depois levaria para a França juntamente com a Mona Lisa.

Um ano após seu retorno a Milão, Leonardo inicia uma pequena pintura a óleo intitulada como Cabeça de Mulher ou La Scapigliata, que fica inacabada, mas, três anos depois serviria de modelo para o rosto de Leda, principal figura do quadro Leda e o Cisne).

Um ano após a pintura La Scapigliata, Leonardo da Vinci inicia pintura de avultadas medidas (168 x 112 cm). Nessa nova pintura Leonardo controla bastante bem a técnica do sfumato, mas ficou por concluir devido à sua partida para Roma. Esta obra é A virgem e o menino com Santa Ana, que retrata a Virgem Maria, Jesus e sua mãe Santa Ana (ou Sant’Ana), avó de Jesus, em uma cena privada e intimista da vida dos personagens. Leonardo procurou representar o afecto entre mãe e filha através da posição das duas, estando Maria sentada no colo de sua mãe. O olhar de ambas dirige-se a Jesus e relata toda a afeição delas em relação a ele. Jesus brinca com um cordeiro e, além de ser o centro das atenções das familiares, reserva a atenção do espectador.

No fundo do quadro há cordilheiras geladas, que aos poucos perdem sua nitidez devido à distância. A maior parte das pinturas de Leonardo possui montanhas ou cordilheiras, devido a sua curiosidade e admiração pelas mesmas.

As figuras, sem exclusão do cordeiro, conservam uma aparência leve e suave através do esbatimento da cor, técnica muito aplicada nas obras tardias de Leonardo, de nome sfumato.

[editar] Pinturas da Década de 1510 (Últimos Trabalhos)

Leda e o Cisne (Cópia)
Leda e o Cisne (Cópia)
  • Estada em Roma (1513-1516)

No inicio dessa década de 1510, Leonardo iniciou a pintura Leda e o Cisne (o único nú, pintado por ele), assim como a Madona do Fuso não existe mais; em 1513, da Vinci viajou para Roma (levando consigo o quadro Leda), na verdade ele queria participar da criação de Afrescos na capela Sistina, mas, devido a intrigas com o papa da época não teve tal oportunidade. Os problemas que Leonardo tivera, fora em relação aos seus estudos de anatomia (algo não bem visto pela Igreja, que considerava como prática herege), em 1515, Leonardo então conclui sua pintura Leda e o Cisne (baseado da Mitologia Grega). A pintura Leda, provavelmente foi destruída pela inquisição da igreja Católica, assim como algumas obras de Botticelli.

Enquanto ainda pintava Leda, Leonardo iniciou outra pintura a óleo (no período de 1513), intitulada de São João Batista, que somente viera a concluir em 1516 (e logo após o seu termino, viaja para a França, a convite do rei Francisco I, levando consigo as obras: Mona Lisa, a Madona das Rochas, e São João Batista). Não se sabe se esta obra fora pintada representando o santo com uma delicadeza feminina propositalmente; acredita-se que Leonardo queria provocar a Igreja, então o motivo da certa representação que parece contradizer a personalidade de João Batista descrita na bíblia.

[editar] Galeria

Madona Benois
Madona Benois

[editar] Curiosidades

  • A personalidade de Da Vinci sempre foi cercada por uma aura de mistério. Engenhosidades foram vistas com suspeita em uma época crua e com ideologias rigorosas.
  • Em um ambiente ainda muito influenciado pela Igreja Católica era fácil trocar um estudo científico aprofundado por uma heresia; logo, especula-se que Da Vinci acabou optando pela clandestinidade para expressar o que realmente acreditava. Muitos sustentam que Da Vinci era pagão e que só explorou as instituições religiosas para tirar lucro das incumbências deles.
  • Alguns simbolistas dizem que há mensagens escondidas em seus trabalhos que reforçam esta idéia. Apesar disso, há diversos estudos contemporâneos que atestam que Da Vinci foi um ateu fervoroso. Não obstante isto as suas obras de arte, dentre elas a A Última Ceia o colocam como um dos maiores expoentes da Arte sacra.
  • As lendas em Da Vinci são múltiplas e elas ainda inspiram até hoje imaginações em cima de todo limite. O Código de Da Vinci é o exemplo contemporâneo mais evidente que a história do artista ainda desperta numerosas curiosidades e como muitas polêmicas. Os textos são analisados do ponto de vista simbólico entre seus trabalhos mais importantes.
  • Para citar o mais conhecido, há teorias que Mona Lisa é um auto-retrato, mas com feições femininas, explicando assim o sorriso ambíguo. No entanto, a idéia mais aceita é que o retrato ilustra a da esposa do comprador, Francesco Bartolomeo del Giocondo - daí o nome La Gioconda. Mas mesmo assim, ainda há o simbolismo por trás do nome: o nome Mona Lisa poderia ser um anagrama de duas divindades egípcias da fertilidade Amon e L'Isa, muito referenciadas pelos pagãos da época. Esta última hipótese foi inventada pelo escritor Dan Brown no seu livro O Código Da Vinci. Carece, contudo, de qualquer fundamentação histórica, tendo sido duramente criticada por estudiosos de arte. De fato, Leonardo não punha nomes nos seus quadros. O nome Monalisa foi dado à pintura por Giorgio Vasari, quase três décadas após a morte do pintor.
  • Da Vinci tinha um amor natural pelos animais. O historiador Edward McCurdy, citado no livro Jaulas Vazias, do filósofo e professor emérito Tom Regan, menciona: "a mera idéia de permitir o sofrimento desnecessário e, mais ainda, de matar, era abominável para ele". Segundo os relatos verificados por Regan, o inventor adotou uma dieta vegetariana na infância, por razões éticas. Leonardo teria atacado a vaidade humana com as seguintes palavras: "Rei dos animais - é como o humano descreve a si mesmo - eu te chamaria Rei das Bestas, sendo tu a maior de todas - porque as ajudas só para que elas te dêem seus filhos, para o bem da tua goela, a qual transformaste num túmulo para todos os animais."

[editar] Ciência e criações

Estudo de Embriões, desenho científico feito por Leonardo

Talvez até mesmo mais impressionantes que os seus trabalhos artísticos sejam os estudos em ciências e engenhosas criações, registrados em cadernos que incluem umas 13 000 páginas de notas e desenhos que fundem arte e ciência.

Da Vinci tentou entender os fenômenos e descrevendo em detalhe extremo, e não enfatizou experiências ou explicações teóricas. Ao longo de sua vida, planejou uma enciclopédia baseado em desenhos detalhados de tudo. Como não dominava o latim e a matemática, o Leonardo da Vinci cientista era ignorado pelos estudiosos contemporâneos.

Ele participou em autópsias e produziu muitos desenhos anatômicos extremamente detalhados e planejou um trabalho inclusive com humanos e anatomia comparativa. Ao redor do ano 1490, ele produziu um estudo das proporções humanas baseado no tratado recém-redescoberto do arquiteto romano Vitruvius. Leonardo debruçou-se sobre o que foi chamado o Homem Vitruviano, o que acabou se tornando um dos seus trabalhos mais famosos e um símbolo do espírito renascentista. O desenho reproduz a anatomia humana conduzindo eventualmente ao desígnio do primeiro robô conhecido na história que veio a se chamado de O Robô de Leonardo.

Modelo de Helicóptero (máquina parafuso) planejado por Leonardo
Modelo de Helicóptero (máquina parafuso) planejado por Leonardo

Fascinado pelo fenômeno de vôo, Da Vinci produziu detalhado estudo do vôo dos pássaros, e planos para várias máquinas voadoras, tentou aplicar seus estudos para os protótipos que desenhou, o primeiro batizado de SWAN DI VOLO (Cisne voador), segundo especialistas é de 1510, inclusive um helicóptero movimentado por quatro homens, e um planador cuja viabilidade já foi provada.

Em 1502 Leonardo da Vinci produziu um desenho de uma ponte como parte de um projeto de engenharia civil para Sultão Beyazid II de Constantinopla. Nunca foi construída, mas a visão de Leonardo foi ressuscitada em 2001 quando uma ponte menor, baseada no projeto dele, foi construída na Noruega.

Os seus cadernos também contêm várias invenções no campo militar: canhões, um tanque blindado movimentado por humanos ou cavalos, bombas de agrupamento, etc., embora considerasse a guerra como a pior das atividades humanas. Outras invenções incluem um submarino e um dispositivo de engrenagem que foi interpretado como a primeira calculadora mecânica. Nos anos dele no Vaticano, planejou um uso industrial de poder solar, empregando espelhos côncavos para aquecer água(inventou a primeira máquina a vapor).

Em astronomia, acreditou que o Sol e a Lua giravam ao redor da Terra, e que a Lua refletia a luz do Sol devido a ser coberta por água.

Da Vinci não publicou e nem distribuiu os conteúdos de seus cadernos. A maioria dos estudiosos acredita que Leonardo quis publicar os cadernos e fazer com que as sua observações fossem de conhecimento público. Eles permaneceram obscuros até o século XIX.

A influência de Leonardo na história da arte européia é bastante profunda. Algumas técnicas desenvolvidas por ele, destacadamente o sfummato e o chiaroscuro, tornaram-se uma regra para a pintura dos séculos vindouros.

É considerado por muitos como o arquétipo do Homem do Renascimento.

Grande inventor de sua época, Leonardo da Vinci era um homem à frente de seu tempo. Seu interesse e criatividade em vários campos de estudo deram origem a invenções como: salva-vidas, pára-quedas, bicicleta, entre outras.


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