Jogo do bicho

Fonte: SAPO Saber, a enciclopédia portuguesa livre.

Atenção: Esta página foi marcada para revisão!
Se tem algum conhecimento sobre este assunto, por favor verifique a consistência e o rigor deste artigo.


Este artigo ou secção possui passagens que não respeitam o princípio da imparcialidade.
Tenha algum cuidado ao ler as informações contidas nele. Se puder, tente tornar o artigo mais imparcial.

O jogo do bicho é uma bolsa de apostas ilegal em animais e foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel.[1]

A fase de intensa especulação financeira e jogatina na bolsa de valores nos primeiros anos da República imprimiu grave crise ao comércio. Para estimular as vendas, os comerciantes instituiram sorteios de brindes. Assim é que, tencionado em aumentar o freqüência do zoológico, o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro e sortear uma placa a cada dia. Em cada placa figurava um dos 25 animais de sua propriedade. A partir daí, as placas foram associadas a séries numéricas e o jogo passou a ser praticado largamente, a ponto de transformar a capital da República (desde 1889) na "capital do jogo do bicho". Assim, nasceu um dos jogos mais democráticos da história do Brasil.

Índice

[editar] Contravenção controvertida

Simples no começo, o sistema de jogo do bicho multiplicou-se pelo território brasileiro e teve forte presença cultural no "Brasil moderno": na música, no cinema, no teatro e na literatura. Câmara Cascudo, no seu Dicionário do folclore brasileiro, distinguia o jogo como sendo "invencível" e que a sua repressão apenas ampliava sua reprodução por todo o país. Vício irresistível, escreveu o folclorista: (...)Contra ele a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade. O jogo do bicho é invencível. Está, como dizem os viciados, na massa do sangue".

Em Ordem e Progresso (1959), Gilberto Freyre descreve o jogo do bicho como uma das poucas atividades democráticas no início da República. O historiador José Murilo de Carvalho demonstrou em Os bestializados: Rio de Janeiro e a República que não foi que a sociedade carioca difundia a crença na sorte como uma forma de ganhar a vida sem trabalhar.

O jogo do bicho é semelhante a uma loteria federal, mas com algumas diferenças. uma delas é que o jogador pode apostar qualquer valor, que muitas vezes é bem acima de suas possibilidades. Quanto maior o valor apostado em uma sequência numérica (milhar, centena, dezena, etc), maior será o prêmio em caso de acerto. Com essa flexibilidade de apostas, o jogador é livre para escolher pelo menor valor possível o seu número da sorte nas 10.000 chances disponíveis de cada sorteio. Exemplo, um apostador joga 1 real em uma milhar no primeiro prêmio (conhecido como cabeça por ser a primeira milhar no topo da lista de resultados), caso acerte ela inteira (os quatro números) ele ganha 3.000 reais (apostas no estado de São Paulo). Se tivesse jogado 50 centavos na mesma aposta e acertado, o apostador ganharia 1.500 reais. Todo "banca" (organizações que fazem a administração do jogo do bicho) tem uma tabela de valores que são apresentados aos apostadores, tabela essa que tem muito pouca diferença de banca para banca.

Apesar de sua imensa popularidade e de ser tolerado por muitas autoridades (portanto, corruptas), o jogo do bicho é considerado uma contravenção no Brasil e as pessoas que o praticam ou o promovem são passíveis de punição pela Justiça.

[editar] História

A origem do jogo do bicho, atividade tipicamente brasileira, remonta ao fim do Império e início do período republicano.

Jornais da época contam que para melhorar as finanças do jardim zoológico, localizado no bairro da Vila Isabel, em dificuldades financeiras, no Rio de Janeiro, o senhor de terras e escravos João Batista Viana Drummond, criou uma loteria em que o apostador escolhia um entre os 25 bichos do zoológico.

Os bichos eram representados individualmente pela seqüência numérica de quatro unidades, compreendidas de 00 e 99 nos dois dígitos finais, haveria 25 bichos que respeitada a sua ordem alfabética eram distribuídos em progressão aritmética múltiplas de quatro de 00 a 99. Ao final do dia, os organizadores do jogo revelavam o nome do bicho vencedor e afixavam o resultado num poste, o que até os dias de hoje continua sendo feito.

O jogo do bicho permitia apostas de "simples moedas a tostões furados", e isso em uma época em que a recessão tomava conta do Brasil. Essa modalidade de jogo rapidamente se alastrou pelo país e tornou-se para o pobre algo comparável à bolsa de valores para os mais abastados.

Desse modo, quase sempre "investindo" com poucas moedas, o apostador nunca deixava de "aplicar" na sua "bolsa de valores", talvez a maior a céu aberto do mundo, e que deu origem à expressão: "só quem ganha é quem joga".

A organização do jogo de bicho preserva uma hierarquia como a de atores, teatro e platéia (banqueiros, gerentes e apostadores).

Nessa hierarquia, o "banqueiro" é quem banca a totalidade do jogo e quem paga a banca. O "gerente de banca" ou do ponto, é quem repassa as apostas ao banqueiro e o prêmio ao vendedor. O vendedor é agregado ao gerente de banca e é quem escreve e quem intermedia pagamento entre o apostador e o gerente. A banca e o ponto não necessitam de um lugar fixo para operar e seus funcionários são freqüentemente encontrados nas ruas sentados em cadeiras ou caixas de frutas. Em outras regiões do Brasil , pode-se entrar em contato por telefone, e um motoboy vêm buscar o jogo em sua casa ou trabalho.

O jogo do bicho tem algumas regras que estipulam limites nas apostas: um exemplo é a "descarga" de alguns números muito apostados, como o número do túmulo de Getúlio Vargas ou número do cavalo no dia de São Jorge. Para alguns organizadores os números muito jogados são cotados afim de evitar a "quebra da banca" tanto por parte das bancas de apostas como durante a apuração no sorteio.

Pelo fato de ser uma atividade que envolve dinheiro não controlada pelo governo, o jogo tem atraído a atenção das autoridades corruptas e criou-se um complexo e eficiente sistema para a realização da venda de facilidades.

A Paraíba é o único estado da Federação onde o jogo do bicho é considerado legal. As "corridas" (extrações dos números premiados) são feitos pela Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) e o estado cobra taxas dos "banqueiros". Em razão disto, não é explorado pelo mundo do crime. Outros estados como Pernambuco usam as "corridas" da Paraíba como resultado oficial. Corre uma história de que durante a ditadura militar, o presidente Castelo Branco, numa reunião da SUDENE em Recife, teria cobrado do então governador João Agripino a extinção do jogo na Paraíba. Agripino teria respondido ao então presidente: "Acabo com o jogo do bicho na hora em que o Senhor arranjar emprego para os milhares de paraibanos que ganham a vida como cambistas". E o jogo continua livre.

[editar] Bicheiro

Bicheiro é o empresário responsável pelo jogo do bicho, uma loteria ilegal muito popular no Brasil, além de comandar as escolas de samba, como no Rio de Janeiro.

[editar] Personagens Famosos

Um dos maiores representantes dos bicheiros foi o Dr. Giovanni (José Wilker, Senhora do Destino), com seu costume de trocar as letras.

[editar] Tabela dos bichos

(Números atuais do jogo do bicho)

Número Bicho Números na centena
01
Avestruz
Avestruz
01-02-03-04
02
Águia
Águia
05-06-07-08
03
Burro
Burro
09-10-11-12
04
Borboleta
Borboleta
13-14-15-16
05
Cachorro
Cachorro
17-18-19-20
06
Cabra
Cabra
21-22-23-24
07
Carneiro
Carneiro
25-26-27-28
08
Camelo
Camelo
29-30-31-32
09
Cobra
Cobra
33-34-35-36
10
Coelho
Coelho
37-38-39-40
11
Cavalo
Cavalo
41-42-43-44
12
Elefante
Elefante
45-46-47-48
13
Galo
Galo
49-50-51-52
14
Gato
Gato
53-54-55-56
15
Jacaré
Jacaré
57-58-59-60
16
Leão
Leão
61-62-63-64
17
Macaco
Macaco
65-66-67-68
18
Porco
Porco
69-70-71-72
19
Pavão
Pavão
73-74-75-76
20
Peru
Peru
77-78-79-80
21
Touro
Touro
81-82-83-84
22
Tigre
Tigre
85-86-87-88
23
Urso
Urso
89-90-91-92
24
Veado
Veado
93-94-95-96
25
Vaca
Vaca
97-98-99-00

[editar] Referência

  1. "É bicho na cabeça" pelo historiador Antônio Paulo Benatte para a revista História Viva, nº 54, pg. 66-70. Editora Duetto. Abril de 2008.

[editar] Ligações externas

Ferramentas pessoais