Francisco Salgado Zenha

Fonte: SAPO Saber, a enciclopédia portuguesa livre.

Francisco Salgado Zenha
Político de Portugal
Mandato: I Governo Provisório
  • Ministro da Justiça

II Governo Provisório

  • Ministro da Justiça

III Governo Provisório

  • Ministro da Justiça

IV Governo Provisório

  • Ministro da Justiça
Precedido por: António Maria de Mendonça Lino Neto
Sucedido por: Joaquim Pinto da Rocha e Cunha

VI Governo Provisório

  • Ministro das Finanças
Nascimento: 2 de Maio de 1923
Braga
Falecimento: 1 de Novembro de 1993
Lisboa
Partido: Partido Socialista
Profissão: advogado
link=WP:PPO#{{{projecto}}}

Francisco Salgado Zenha (Braga 2 de Maio de 1923 - Lisboa 1 de Novembro 1993), foi um destacado advogado e político português.

Índice

[editar] Biografia

Nascido a 2 de Maio de 1923 em Braga, onde estudou até ir para Direito na Universidade de Coimbra, onde termina o curso com média de 17 valores. 1944 marca o inicio da sua luta contra o Regime ao ser o primeiro estudante eleito para a presidência da Associação Académica durante o regime salazarista; cargo do qual será demitido no ano seguinte por se recusar a tomar parte numa manifestação de apoio a Salazar, apesar de ter o apoio maciço dos estudantes.

A 28 de Julho de 1946 está presente na reunião que se realiza no Lumiar (Lisboa) da qual sai o Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD-Juvenil). Preso pela primeira vez em 1947, por "actividades subversivas", será uma das muitas vezes que visitará os calabouços da PIDE. Neste período conhece o dirigente do movimento estudantil lisboeta, Mário Soares, uma relação de amizade que irá ser reforçada pela participação de ambos na candidatura de Norton de Matos à Presidência da República em 1949.

No final da década 40 inicia-se na vida profissional, com um estágio no escritório de advocacia de Adelino da Palma Carlos, com quem vira a partilhar um lugar no I Governo Provisório em 1974. A par da carreira politica e profissional, colabora neste época na revista Vértice.

Nos anos 50, participou em vários movimentos, como a Resistência Republicana e Socialista em 1955, e naturalmente na candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República em 1959

Até ao 25 de Abril Salgado Zenha fez parte do grupo restrito de advogados que não tinha medo de defender em tribunal os acusados de actividades contra o regime e colonialismo, bem como é o responsável pela defesa de António de Sommer Champalimaud no caso da "herança Sommer" em 1973, que garantiu a sua absolvição. Com outros oposicionistas funda a Associação Socialista Portuguesa em 1965, que irá resultar no PS, do qual foi membro fundador a contra vontade; não estando presente Bad Münstereifel, entrega o seu voto contra a transformação da Associação em Partido a Maria Barroso que o representa.

No pós 25 de Abril é uma das figuras de proa no processo de democratização, como ministro da Justiça no I, II, III e IV Governos Provisórios e ministro das Finanças no VI Governo Provisório. Destacado negociador na revisão de 1975 da Concordata com a Santa Sé, que permitir o divórcio. Durante o ano de 1975, foi um dos opositores à unicidade sindical (uma só Central sindical), tanto na "rua", em artigos em jornais e comícios, como em Conselhos de Ministros.

Em 1976 o PS ganha as eleições, e eleito deputado Salgado Zenha não integra o novo governo liderado por Mário Soares, indo ocupar o lugar de líder da bancada parlamentar do PS. Na altura Mário Soares terá alegado que Zenha era a "consciência moral" do partido.

O ano de 1980 marca a ruptura política, e na amizade e lutas de vários anos, com Mário Soares na sequência da polémica em torno do apoio ou não à candidatura de Ramalho Eanes à presidência da República. Quando o PS decide manter o apoio, em linha com a opinião de Salgado Zenha, Mário Soares demite-se da liderança do partido, só regressando em 1981, neste período Zenha mantém-se como líder parlamentar, mas será afastado entretanto, sendo-lhe movido por Soares um processo disciplinar.

Quando em 1986 foi candidato à Presidência da República, entrega o cartão de militante afastando-se definitivamente do PS e selando a ruptura com Mário Soares. Salgado Zenha garante o apoio do PCP e do PRD, mas com somente 20% dos votos, não passa à segunda volta. Auto afasta-se da intervenção política, até que em 1988 publica o livro "As Reformas Necessárias", uma análise da politica e do estado português, no qual são visíveis as ideias que balizavam a sua campanha presidencial.

Apesar de sugerido várias vezes ao longo dos anos para ser condecorado com a Ordem da Liberdade, só a persuasão de António Guterres, amigo de longa data, aceita. É condecorado a 10 de Junho de 1990.

É igualmente António Guterres, então líder do PS, que o convida-o a reingressar no partido, mas Zenha mantendo-se como independente e afastado da política.

Morreu em 1 de Novembro de 1993 em Lisboa, após doença prolongada.

[editar] Carreira

Presidente da Associação Académica de Coimbra.

Foi um dos fundadores do MUD-Juvenil.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra.

Foi um dos fundadores do Partido Socialista português.

Em 1986 foi candidato nas eleições presidências (20.6%).

[editar] Fundação Salgado Zenha e Prémios Francisco Salgado Zenha

A Fundação Salgado Zenha foi criada pela viúva (Maria Irene Miranda Cunha Silva Araújo Salgado Zenha), na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra para a atribuição de um prémio e de bolsas de estudo.

No Artigo 2.º do regulamento do Prémio pode-se ler: O PRÉMIO galardoará, em cada ano lectivo, o(s) aluno(s) da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC) que apresentar(em) o melhor trabalho escrito (individual ou colectivo) sobre temas de direitos do homem, direito humanitário ou direitos, liberdades e garantias.

[editar] Ligações externas


BIOGRAFIAS

A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z

Precedido por
António Maria de Mendonça Lino Neto
Ministro da Justiça
16 Maio de 1974 a 8 Agosto de 1975
Sucedido por
Joaquim Pinto da Rocha e Cunha
Precedido por
José Joaquim Fragoso
Ministro das Finanças
19 Set de 1975 a 23 Julho de 1976
Sucedido por
Henrique Medina Carreira


  Este artigo é um esboço sobre Biografias. Você pode ajudar o SAPO Saber expandindo-o.
Ferramentas pessoais
Outras línguas