Ejaculação feminina

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A ejaculação feminina é caracterizada pela excreção de líquidos pelas glândulas de Skene e expulsão pela uretra durante o orgasmo. Esse líquido é claro, às vezes viscoso, ralo e geralmente inodoro, varia de 15 a 200 ml.[1]Nem todas as mulheres ejaculam e, mesmo as que o fazem, não ejaculam sempre, ela está relacionada à estimulação do ponto G. Considerando o ponto G um homólogo da próstata masculina, podemos entender por que o líquido que algumas mulheres expelem é similar ao do homem, sem conter espermatozóides.

Índice

[editar] Historia da ejaculação feminina

Embora até hoje ainda muitos afirmam que a ejaculação feminina é uma lenda ou mito, a ejaculação feminina é um fato observado em laboratório e descrito por Aristóteles e na medicina grega da antiguidade, que acreditava que o líquido expelido era importante na fecundação (Cláudio Galeno 131 - 200). A ejaculação feminina está descrita em várias culturas, por exemplo nos rituais tântricos da Índia.

O anatomista italiano da Renascença Realdo Colombo (1516 - 1559) referiu a ejaculação feminina quando ele explicou as funções do clitóris. E o anatomista holandês Reigner de Graaf (1641 – 1673) descreveu a mucosa membranosa da uretra em detalhes e escreveu que "a substância podia ser chamada muito adequadamente de prostatae feminina ou corpus glandulosum' (...). A função da prostatae é gerar um suco pituito-seroso, que torna a mulher mais libidinosa. (...) Aqui também deve-se notar que o corrimento da prostatae feminina causa tanto prazer quanto o da próstata masculina". De Graaf associou a ejaculação feminina a glândulas presentes ao longo da uretra. Essas glândulas foram descritas em 1880 pelo ginecologista escocês Alexander Skene (1837 – 1900), levando então o seu nome.

Ainda no início do século XX, o meio científico defendeu que a ejaculação feminina seria um sintoma de histeria, somatizado na forma de incontinência urinária.

Em 1926, o médico e sexologista holandês Theodoor Hendrik van de Velde (1873-1937) publicou um manual sobre o casamento, onde mencionava que algumas mulheres expelem um líquido durante o orgasmo. Em 1950, o sexólogo alemão Ernst Gräfenberg (1881-1957) descreveu detalhadamente a ejaculação da mulher em relação ao prazer: "Esta expulsão convulsiva de fluidos ocorre sempre no apogeu do orgasmo e simultaneamente com ele. Se se tem a oportunidade de observar o orgasmo dessas mulheres, pode-se ver que grandes quantidades de um líquido límpido e transparente são expelidas em esguichos, não da vulva, mas pela uretra (...). As profusas secreções que saem com o orgasmo não têm um objetivo lubrificador, pois nesse caso seriam produzidas no início do coito e não no auge do orgasmo."

[editar] Análise química do líquido ejaculado

Pela análise química do líquido expelido, mostrou-se que este nada tinha a ver com a urina, e sim assemelhando-se ao líquido expelido pela próstata masculina. Algumas mulheres de hoje ainda acham que urinam ao ejacular, já que a sensação que antecede a ejaculação é muito semelhante à vontade de urinar. Porém a anatomia também comprova que isso é impossível, uma vez que o músculo pubococcígeo, que se contrai na hora do orgasmo, também é responsável pela contenção urinária.

O líquido ejaculado também não tem relação com a lubrificação vaginal, uma vez que a lubrificação é feita antes do orgasmo e é produzida pelas glândulas de Bartholin, enquanto a ejaculação acontece no clímax do ato sexual e seu líquido é produzido nas glândulas de Skene e liberado através das glândulas de Skene e do canal da uretra.

clitóris, pequenos lábios (labia minora), abertura da uretra, glândulas de Skene, vagina, glândulas de Bartholin
clitóris, pequenos lábios (labia minora), abertura da uretra, glândulas de Skene, vagina, glândulas de Bartholin

[editar] Cultura sexual

Antropólogos relataram rituais de puberdade na tribo batoro de Uganda, onde a ejaculação feminina tem um papel importante num costume chamado "kachapati", que significa "aspergir a parede". Nele, a jovem batoro é preparada para o casamento pelas mulheres mais velhas da aldeia, que lhe ensinam como ejacular.

No Japão a ejaculação feminina é chamada "shiofuki", uma palavra que também é utilizada para a fonte que sai do buraco de respirar no alto da cabeça das baleias.

Todas as mulheres podem ejacular[carece de fontes?], a questão é que a grande maioria nem sabe que isso é possível, portanto, quando a cultura sexual numa sociedade reconhece a existência ejaculação feminina, um número maior de mulheres desenvolverá essa capacidade. Se algumas mulheres têm mais sensibilidade no ponto G, e uma conjunção de fatores psicológicos, biológicos e sociais e o conhecimento do próprio corpo, então haverá maior probabilidade de ocorrer o fato.

[editar] Ejaculação no Pornô

Cada vez mais o cinema pornô utiliza esse fetiche de mostrar mulheres ejaculando. São séries e mais séries de filmes que mostram mulheres em seu prazer extremo. Existe também vários sites especilizados no gênero. As principais actrizes desse fetiche tão popular atualmente:

Cytherea (considerada a rainha da ejaculação), Avy Scott, Briana Banks, Flower Tucci, Nikki Hunter, Tianna Lynn, Dasha, Fallon, Alisha Klass, Annie Body, Missy Monroe, Lily Thai, Ariana Jollee,Jada Fire

[editar] Referências

  1. LINS, Regina Navarro. BRAGA, Flávio. O Livro de Ouro do Sexo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005

[editar] Bibliografia

  • Regnier De Graaf: New Treatise Concerning the Generative Organs of Women.
  • Alexander Skene: The Anatomy and pathology of two important glands of the female urethra. American Journal of obstetrics and diseases of Women and Children 13, 265-270, 1880.
  • Franklin P. Johnson: The homologue of the prostate in the female. Journal of Urology, 8: 13-33, 1922.
  • Theodoor Hendrik van de Velde: Het volkomen huwelijk (1926) - (Index librorum prohibitorum)
  • Ernst Gräfenberg: The Role of Urethra in Female Orgasm. In: The International Journal of Sexology, Vol 3, No 3, pp. 145-148, 1950
  • Perry, John D., Whipple, Beverly and Belzer, Edwin, G. "Female ejaculation by digital stimulation of the Gräfenberg spot." Paper presented to the Society for the Scientific Study of Sex, Philadelphia, April 12, 1981.
  • Heath, D. An investigation into the origins of a copious vaginal discharge during intercourse: 'Enough to wet the bed' - that is not urine," Journal of Sex Research, 20: 194-210, 1984. (IASHS)
  • Darling, C. A., Davidson, J. K. Sr., Conway-Welch, C. "Female ejaculation: perceived origins, the Gräfenberg spot/area, and sexual responsiveness," Archives of Sexual Behavior, 19 (1):607-11, February, 1990.
  • Zaviacic, M. & Whipple B.: Update on the female prostate and the phenomenon of female ejaculation. Journal of Sex Research, 1993; 30: 148-151.
  • Zaviacic, M.: The Human Female Prostate: From Vestigial Skene's Paraurethral Glands and Ducts to Woman's Functional Prostate. 1999, Slovak Academic Press.
  • Kratochvil, S. "Orgasmic expulsions in women," Ceskoslovenska Psychiatrie, 90 (2): 71-77, April 1994.

[editar] Ligações externas

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