Constâncio Vieira

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Índice

[editar] Nos desportos, na indústria, na maçonaria

Constâncio (de Souza) Vieira nasceu em Estancia em 7 de abril de 1893, filho de Antuzo José Vieira e Maria Heitor de Souza Vieira. Foi despachante, comerciante e industrial, construindo uma biografia repleta de sucessos empresariais na sua própria cidade de nascimento e em Aracaju, para onde se transferiu, dando continuidade aos seus negócios.

Sócio (com Júlio Leite) e administrador da Fábrica Senhor do Bonfim, de fiação e tecelagem, fundada em 1913, da Empresa Industrial Estanciana (Leite, Vieira & Cia), Constâncio Vieira revelou-se, ao longo do tempo, um gestor capaz, sensível, admirado pelo operariado da fábrica, pelas práticas desportivas (dirigidas pelo técnico Lourival Gomes, - tênis, futebol, volei e basquete -) e sociais, como a vila operária (com mais de 100 casas), a assistência médica prestada pelos drs. Pedro Soares e Clóvis Franco, pelo cirurgião dentista Rymundo Cood Lima e pelo farmacêutico Edson Alves de Lima. Havia, ainda, uma Igreja (com a invocação do Senhor do Bonfim) e um salão de diversões do Grêmio União Textil. Para ajudar na administração, Constâncio Vieira passou a contar, na década de 1940, com o filho Renato, que administrava o setor de compras, enquanto Arlindo Silva cuidava da contabilidade e Alberto Rollemberg era encarregado das vendas. Considerado pelo "dinamismo e pelo espírito bondoso e progressista", Constâncio Vieira fez, na opinião do seu tempo, uma verdadeira "ressurreição" na empresa que dirigiu, tirando-a do estado crítico em que se encontrava. A empresa possuia duas propriedades agrícolas - Limeira e Periperi -, no município de Estância ( para criatório de gado Zebu) e duas fábricas de descaroçar algodão, denominadas Modelo e Sulina, uma em Boquim, outra em Riachão do Dantas. A Fábrica Senhor do Bonfim contava, em 1948, com 250 teares e 8.066 fusos manejados por cerca de 1.000 operários. Poucos anos depois, a nova empresa Constâncio Vieira & Cia, como sucessora de Leite, Vieira & Cia assumia a responsabilidade pela fábrica. O empresário instala em Aracaju, à rua São Cristóvão, números 44 e 50, a firma Vieira, Sampaio & Cia para exportação de sal, fábrica de mosaicos, óleos vegetais (na Barra dos Coqueiros) para exportação de coco e de outros produtos. Algum tempo depois a empresa, contando em sua direção com Constâncio Vieira, Gabriel Curvelo Sampaio e Álvaro Sampaio, passa a fabricar o Leite de Coco Serigy, produto que renova o mercado e ganha popularidade dentro e fora de Sergipe. Constâncio Vieira instala, também em Aracaju, na rua de Laranjeiras número 37, uma empresa de representação por conta própria - Constâncio Vieira & Cia -, tendo ao seu lado o filho Roberto Constâncio Vieira. Outros empreendimentos, contando sempre com a participação da família, fizeram de Constâncio Vieira um dos mais atuantes empresários sergipanos de todos os tempos. Seus negócios continuaram gerando empregos, pagando impostos, sustentando a idéia de que vale a pena investir no Estado, apostando em produtos populares, como a fabricação e engarrafamento da Coca Cola, pela CIRESF, empresa instalada no Distrito Industrial de Aracaju. O Grupo ou o Sistema Empresarial Constâncio Vieira, sob o controle da família do patriarca, seus filhos, netos e bisnetos, tocam diversos projetos, como a empresa de cosméticos Nova, (Indústria Química e Farmacêutica) em Estancia, a Coca Cola, (Companhia Alagoana de Refrigerantes) de Maceió e de Arapiraca, e a Água Mineral Crystal, (Crystal Nordeste) engarrafada na sede da empresa, no Distrito Industrial de Alagoas, em Maceió, além da velha fábrica (S.A. Constâncio Vieira) da Estancia, onde tudo começou e que hoje produz brim e sarja de 100% algodão, estando em fase de atualização técnica. Casado com Virgínia Costa Vieira, pai de Roberto, Renato, Maria Virgínia e Maria Helena, o empresário Constâncio Vieira faleceu em Aracaju, no Hospital de São José, no dia 5 de fevereiro de 1973, sendo sepultado no Cemitério de Santa Isabel, no dia seguinte, com grande acompanhamento de amigos, familiares, admiradores e colaboradores do seu trabalho. O nome de Constâncio Vieira ficou definitivamente inscrito na galeria dos grandes empreendedores, onde estão Bastos Coelho, Thales Ferraz, Gonçalo Prado, José do Prado Franco, Oviêdo Teixeira, Mamede Paes Mendonça, Pedro Paes Mendonça, Gentil Barbosa, Augusto Franco e muitos outros sergipanos que acreditaram no potencial da terra para a geração da prosperidade.


  • Jornalista e escritor

[editar] Um exemplo de empreendedor

Constâncio Vieira é um exemplo de empreendedorismo. Fez uma carreira pessoal brilhante, inicialmente como Despachante Geral, depois como representante comercial, industrial, diversificando os seus investimentos em Sergipe, notadamente em Estancia, onde até hoje o grupo empresarial que leva o seu nome mantém uma fábrica de tecidos em funcionamento e uma indústria de cosméticos. Sergipe iniciou a instalação de suas fábricas em 1882, com a Sergipe Industrial, instalada dois anos depois nos trapiches de Cruz & Cia, no bairro Industrial. É uma fábrica que funciona ainda hoje, trocando apenas uma vez de donos - da família Cruz para a família Franco. Desde que entrou na sociedade com Júlio Leite, que Constâncio Vieira conservou a fábrica Senhor do Bonfim, a única em 1920 a usar petróleo bruto, enquanto as demais utilizavam lenha como combustível, utilizando também motores de explosão, enquanto as demais usavam máquinas a vapor. Em 1920, quando Sergipe celebrou o Centenário de sua Emancipação Política, existiam 8 fábricas, conforme o quadro extraído da Mensagem do presidente Pereira Lobo à Assembléia Legislativa, em 7 de setembro de 1920.

[editar] Um maçom irrepreensível

Constâncio Vieira pediu iniciação na Maçonaria em 1917. Tinha 30 anos, aceitou os rigores da sociedade e ingressou na Loja Cotinguiba para cumprir, com zelo, uma evolução que o levou até o grau 33, o mais alto, conforme Diploma recebido em 11 de setembro de 1963. Já em 1918, graças ao seu trabalho junto à sociedade sergipana atingida pela epidemia da "Gripe Espanhola", mereceu o título honorífico de Benemérito da Ordem. Na hierarquia da Loja Cotinguiba, a mais velha de Sergipe, fundada em 1872, foi Venerável nos anos de 1952 e 1953. E após 50 anos, em 1967, solicitou, com todos os direitos, a condição de Membro Emérito, recebendo o título em 29 de julho do mesmo ano. Há, entre os maçons sergipanos, uma lembrança da figura benemérita de Constâncio Vieira, que indica admiração e respeito, comum em todas as lojas. Recentemente, ele foi homenageado com a colocação do seu nome na Loja de Pesquisas e Estudos Maçônicos, fundada em 22 de janeiro de 2000 e que tem como Venerável Durbem Alves de Souza. Sua condição de maçom realçava o espírito solidário conhecido desde os tempos em que dirigiu a Fábrica Senhor do Bonfim, em Estancia. Colaborando com obras sociais, Constâncio Vieira deu um exemplo que ainda hoje é lembrado. Formando ao lado do professor José de Alencar Cardoso, do farmacêutico Marcos Ferreira de Jesus e de outros vultos notáveis da Loja Cotinguiba, o empresário estanciano honrou a opção que fez.(LAB)

[editar] Um industrial desportista

Constâncio Vieira seguiu à risca as trilhas abertas por Thales Ferraz no relacionamento com os operários da Fábrica Senhor do Bonfim. Thales Ferraz, engenheiro textil formado em Manchester, na Inglaterra, fez uma viagem aos Estados Unidos, em 1913, procurando formas de lazer para os operários da Fábrica Sergipe Industrial, de Aracaju, da qual era diretor. Ele chegou a reunir os mestres da fábrica, tirar uma fotografia com eles, autografando como lembrança, para o caso de um acidente qualquer na viagem. Ao retornar, Thales Ferraz imaginou instalar no pátio interno da fábrica (com entrada pela rua do Caiçá) um parque para os trabalhadores e suas famílias. Era um cinema com um palco de múltiplo uso - teatro, dança, recitativos -, mesas e cadeiras estofadas, que ganhava vida com as promoções rotineiras da administração da fábrica. Ao lado da diversão artística, havia o bloco carnavalesco "Papai Sacode", que desfilava em corso pelas ruas de Aracaju, uma escola, uma creche e uma farmácia contando com serviços qualificados de Cesartina Regis do Amorim, Augusto Leite e outros renomados profissionais. O Parque Sergipe Industrial foi o maior complexo de lazer que Aracaju já teve em sua história de quase 150 anos e estava acoplado a uma ampla visão social, representada nas casas da vila operária com água e com luz antes que as demais residências do Bairro Industrial recebessem tais benefícios, e principalmente nas iniciativas de Thales Ferraz em promover férias e reajustes salariais, celebrando-os com memoráveis bailes. Vale lembrar que as iniciativas de Thales Ferraz precederam a legislação trabalhista, nos termos em que é hoje conhecida. Constâncio Vieira começava as suas atividades em Estancia, quando Thales Ferraz montava o Parque Sergipe Industrial em Aracaju. Mas a Fábrica Senhor do Bonfim com sua estrutura de lazer e com o atendimento social tomava o mesmo caminho exemplar. E com uma vantagem: Constâncio Vieira era um amante dos esportes e manifestou, de diversos modos, sua aptidão para lidar com a juventude sergipana. Ele construiu um estádio junto à fábrica, ao qual deu o nome de José Pequeno, homenageando um motorista falecido, e através do técnico Lourival Gomes formou equipes de volei, basquete, futebol e tênis, popularizando tais esportes e contribuindo para que a Estancia conquistasse, com seus atletas, vários títulos locais e estaduais. O esporte sempre esteve vinculado à educação física, como demonstrava o Clube Esportivo Sergipe, que tinha Constâncio Vieira como Presidente de Honra. Em Circular de 11 de dezembro de 1936, os rubros comunicam aos associados a eleição da nova Diretoria, com mandato até 1938, e reforçam no texto os seus compromissos com o "momento de renovação por que estão passando, em face do atual movimento de grandeza da Educação Física, a sua colaboração patriótica para que a venerana associação sergipana possa continuar a cumprir o seu programa em prol do aperfeiçoamento muscular da mocidade em cujos ombros repousarão as responsabilidades futuras da nossa Pátria brasileira." Quem assina a Circular é o jornalista Jeferson Silva de Oliveira, que era o 1º Secretário. O Clube Esportivo Sergipe, fundado em 17 de outubro de 1909, era inicialmente um clube de remo, com garagem de barcos na avenida Rio Branco, hoje Ivo do Prado, número 364. Além do remo, mantinha práticas de futebol, basquete e ping pong. O Cotinguiba, que também estava situado no velho bairro da Fundição, tinha no remo sua principal força. Constâncio Vieira animou, com sua presença e participação, ambas as associações desportivas, merecendo as honrarias que recebeu, títulos de sócio benemérito e presidente de honra dos dois clubes. Já funcionava, naquele tempo, graças aos esforços de beneméritos como Constâncio Vieira e Almirante Amintas Jorge, a Liga Sergipana de Esportes Atléticos, fundada em 10 de novembro de 1926, para patrocinar torneios de esportes terrestres e náuticos, como volei, basquete, tênis, atletismo, peteca, regatas a remo, walter polo, dentre outros. Os clubes existentes, que passaram a integrar a LSEA, eram os seguintes: Clube Esportivo Sergipe, Paulistano Futebol Clube, Vasco da Gama Futebol Clube, Etea Futebol Clube, Esporte Clube Siqueira Campos, Guarany Futebol Clube, Cotinguiba Esporte Clube, Vitória Futebol Clube, 13 de Julho Futebol Clube e Palestra Futebol Clube. Constâncio Vieira participou, ainda, do Recreio Clube, clube social fundado em 14 de julho de 1916, sediado na praça Olímpio Campos, famoso pelas suas festas. O Recreio Clube precedeu a Associação Atlética de Sergipe. (LAB)


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